Sem Huck, nomes conhecidos na política retornam com força

A decisão tomada pelo apresentador de TV Luciano Huck de não concorrer à presidência da República faz com que a bússola política nacional volte a apontar para candidaturas de nomes mais tradicionais, já testados eleitoralmente e, que não representam a renovação no cenário público. Além dos atuais líderes nas pesquisas eleitorais, colocados em polos extremos da disputa — Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro —, abre-se uma brecha para uma candidatura de centro, que, no momento, poderia ser representada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A situação repete-se nas expectativas de renovação do Congresso, que não deve fugir muito do percentual verificado em anos anteriores, na casa dos 45%.

E NOS ESTADOS?

No caso dos governos estaduais, a expectativa de mudanças é ainda menor, à exceção do Rio, um estado que se encontra em situação conflagrada, onde estão presos todos os governadores eleitos desde 1998, todos os presidentes da Assembleia e cinco dos seis desembargadores do Tribunal de Contas. Lá, o Partido Novo lançou o nome do ex-técnico da seleção brasileira Bernardinho ao governo estadual. Este já adiantou que poderá ter o ex-secretário de segurança pública José Mariano Beltrame como vice.

Alckmin ganhou fôlego após a pacificação do PSDB. Já Meirelles avisou, durante evento em São Paulo, que tem até março para decidir se concorrerá ou não à presidência da República.

Huck tornara-se a moda da vez, embora o prefeito de São Paulo João Doria já tenha flertado com esse adjetivo de novo na política. Mas como os próprios tucanos admitem, ele queimou a largada. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa conversou diversas vezes com o PSB e a Rede, até sinalizou simpatia com a possibilidade de ter como vice Marina Silva, mas, até o momento, não bateu o martelo quanto a nada.

Huck delira e pensa que “não são necessários partidos, cargos nem eleições”…

A saída de Luciano Huck da disputa eleitoral de 2018 só pode ser uma surpresa para os que acompanham política de longe. Para o bem e para o mal, o sistema brasileiro é infenso ao fenômeno que deu à França Emmanuel Macron.

Aos que sonhavam com Huck e ainda pensam em Joaquim Barbosa ou outro outsider convém fazer 1 exercício de imaginação. Com 30 partidos políticos no país, ninguém ganha a eleição sozinho. É necessário fazer alianças. Como seria a 1ª reunião de Huck ou Barbosa com os representantes do PR de Valdemar Costa Neto? Ou com alguma sigla similar (a maioria)?

ELEIÇÃO CASADA

Muitos puristas gostam de lembrar de 1989, quando Fernando Collor foi eleito praticamente sozinho. É verdade. Mas 1989 não há mais. Aquela foi uma eleição “solteira”, apenas para presidente da República. Agora, são sempre eleições “casadas” –além do presidente, são eleitos todos os governadores, Assembleias Legislativas e Congresso. Sem alianças amplas, é impossível ganhar.

Por fim, a disputa vencida pelos colloridos em 1989 foi a 1ª pós-ditadura militar. O país passava por outro momento. As regras eleitorais permitiram a Collor embedar-se em programas de até 20 minutos de legendas nanicas. Popularizou seu nome. Hoje, essa janela para traficâncias televisivas não existe mais com tanta lassidão.

TEXTO PUERIL

Chama a atenção no texto pueril de Luciano Huck desistindo de ser candidato a seguinte assertiva: “Vou trabalhar efetivamente para estruturar e me juntar a grupos que assumam a missão de ir fundo na elaboração de um pensamento e principalmente de um projeto de país para o Brasil. E, para isso, não são necessários partidos, cargos nem eleições“.

O erro do apresentador está na frase final. É impossível fazer o que ele diz pretender sem se engajar em alguma agremiação partidária. É assim em todas as democracias representativas conhecidas no mundo ocidental. No Brasil, os ricos e famosos têm “nojinho” da política. “Eu sou limpinho e posso fazer sozinho“, é a síntese do pensamento brasileiro autóctone e reducionista.

Nos Estados Unidos, onde brasileiros endinheirados passam férias em Aspen ou em Miami e depois aparecem felizes na Caras, os principais milionários filantropos têm claras preferências partidárias. É assim desde sempre.

TERRA EM TRANSE

O Brasil parece em transe depois de quase 4 anos de Lava Jato. Uma presidente sofreu o impeachment e outro ocupa a cadeira com meros 4% ou 5% de aprovação. O discurso do novo parece ter pegado nas redes sociais, mas não tem aderência com a realidade. Basta verificar o que se passou no Amazonas, que elegeu seu governador em agosto e escolheu entre dois nomes megatradicionais da política local, Amazonino Mendes e Eduardo Braga. Aumentou a taxa de brancos e nulos, mas nada de o eleitor encontrar o tal do “novo”.

Tudo considerado, o cenário político tende a caminhar para nomes do mainstream partidário: Lula, Alckmin, Ciro, Marina e (o já muito conhecido) Bolsonaro. E o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles? E Michel Temer, pode desejar disputar a reeleição? Tudo pode. Mas Meirelles e Temer também representarão para a disputa de 2018 o mesmo que Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves representaram em 1989, não necessariamente nessa ordem.

MAIS POLÍTICA

No fundo, o que os até bem-intencionados, como parece ser o caso de Huck, não percebem é que a crise atual brasileira não precisa de menos política. Precisa de muito mais política para tirar o país do buraco em que se encontra. E não metáforas usando Ulisses preso ao mastro para resistir ao canto das sereias. Até porque, nesse caso, a alegoria usada por Huck é novamente apenas derrogatória com a política (ele, o puro preso ao mastro; a política, essa imundice para onde queriam levá-lo).

Enquanto o apresentador de TV e seus colegas ricos pensarem dessa forma não tem chance de as coisas por aqui melhorarem.

Huck desistiu, mas Dória ainda prefere aguardar as próximas pesquisas eleitorais

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta segunda-feira (dia 27) que não lhe cabe dizer se é ou não candidato nas eleições gerais do ano que vem. “Quem tem que dizer é a população, o eleitor é quem decidirá se um candidato pode disputar”, disse o tucano, durante evento “Fórum Veja: Amarelas ao Vivo”, realizado na capital paulista, com a presença de dez personalidades que devem definir os rumos da política e da economia no ano eleitoral de 2018.

 

Ao dizer que é o eleitor quem decide o futuro de um candidato, ele ironizou: “Eu sou tucano, mas não ando em cima do muro; minhas posições são claras.”

NAS PESQUISAS

O prefeito disse que não é ele quem pede sondagens eleitorais que incluem seu nome na corrida presidencial do ano que vem. E voltou ao discurso que vem fazendo desde que seu nome começou a circular como um dos postulantes ao Palácio do Planalto:

“Eu entendo que o Brasil precisa de uma candidatura de centro. Bolsonaro está aqui e eu o respeito, mas o Brasil precisa ir para frente. E os partidos precisam ter consciência em defesa do que é melhor para o Brasil”, frisou, dizendo apoiar essa corrente, mesmo sem ser candidato. E defendeu um debate em torno de propostas para o País e não em torno de questões partidárias.

ALCKMIN E AÉCIO…

Ao falar de seu padrinho político, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Doria disse que não vai engolir seu criador, “tenho alta estima pelo governador Alckmin”. E refutou que possa haver fissura ou afastamento nessa relação. “Minha proposta é nos mantermos unidos pelo bem do Brasil, pois o País precisa retomar sua trajetória de crescimento.”

No Fórum, João Doria disse também não ser correto associar seu partido com a corrupção, por causa do “problema” com o senador tucano e ex-presidente nacional do PSDB Aécio Neves. “Sou PSDB e continuarei sendo PSDB, não o comparem com o PT”, criticou, reiterando que o ex-presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu e a senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), não são parâmetros de honestidade. Doria avaliou que se for comprovado que Aécio cometeu algum crime, “ele terá de responder por isso, pois o seu partido não é seletivo”.

Indagado a respeito do fim do foro privilegiado para políticos, o prefeito disse que é a favor do foro, mas com mecanismos de defesa equilibrados. “A lei tem de ser cumprida em todas as circunstâncias para quem cometeu delitos”, ponderando que em casos de crime com flagrante, não deveria haver foro privilegiado.

CRÍTICA A HADDAD

Na entrevista, Doria reclamou “dos ataques contínuos sofridos por quem está num cargo público” e convidou àqueles que o criticam a visitarem a cidade com ele. Apesar da afirmação, criticou seu antecessor, o petista Fernando Haddad (PT), dizendo que sua gestão superestimou receitas e subestimou dívidas.

“A gestão Haddad deixou dívida de R$ 7,5 bi para a minha gestão”, disse, acrescentando que os estoques de remédios estavam zerados, que as últimas obras de recapeamento foram feitas na gestão Gilberto Kassab e que há dois anos não se fazia manutenção em semáforos. E citou feitos de sua administração, dizendo, por exemplo, que realizou importante programa na área da saúde.

 

Fonte: Correio Braziliense/Poder 36/O Tempo/Municipios Baianos

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