PF conclui que família Vieira Lima é uma associação criminosa

A Polícia Federal concluiu inquérito sobre as malas com R$ 51 milhões achados em um apartamento que seria de Geddel Vieira Lima, em Salvador. Para a PF, há indícios de crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa cometidos pelo ex-ministro Geddel, o irmão dele, deputado Lúcio Vieira Lima e mais três pessoas. O relatório sobre o tema já foi enviado para o ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação é da TV Globo.

Segundo os investigadores, o dinheiro achado era do ex-ministro. Além dele e do irmão, a PF também acusa a mãe dos dois, Marluce Vieira Lima, o ex-assessor do deputado, Job Ribeiro, e Gustavo Ferraz, aliado de Geddel.

Deve ser instaurado um inquérito separado para apurar prática de peculato (crime cometido por servidor público no exercício da função) em relação à devolução ao deputado de parte dos salários do ex-assessor, Job Ribeiro

Agora, o próximo passo é a Procuradoria Geral da República decidir se vai denunciar os envolvidos.

PF diz que recebeu apenas 7 das 9 malas do bunker de R$ 51 milhões associado a Geddel

Um documento da Polícia Federal indica que duas das nove malas apreendidas no bunker de R$ 51 milhões atribuído ao ex-ministro Geddel Vieira Lima estão sumidas.

Segundo informações da coluna Expresso, da revista Época, a PF em Brasília alega ter recebido sete malas de dinheiro. No entanto, o auto de apreensão lavrado pela PF na Bahia depois de cumprir o mandado no imóvel registrava nove malas.

O documento não explica onde estão as malas, relatando apenas que, no recebimento do material, “foi constatado a presença de somente 7 malas, sendo 6 grandes e 1 pequena, quando no auto de apreensão relaciona 9 malas, sendo 6 grandes e 3 pequenas. Certifico ainda que foi recebido 2 (dois) malotes lacrados”.

Ainda segundo a coluna Expresso, as malas foram enviadas para Brasília, pois é na capital federal que tramita o inquérito do caso. A Polícia Federal concluiu o inquérito do bunker de R$ 51 milhões e viu indícios de associação criminosa e lavagem de dinheiro cometidos por Geddel e pelo deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

Job relatou que destruiu documentos a pedido de Geddel, Lúcio e Marluce

Antes da revogação da prisão domiciliar, Job Ribeiro Brandão relatou, em depoimento, que os irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima e a mãe dos políticos Marluce determinaram a destruição de documentos após a primeira prisão do ex-ministro.

De acordo com o relatório da Polícia Federal em que foram denunciados indícios de lavagem de dinheiro e associação criminosa, cometidos por Geddel e Lúcio (veja mais aqui), a determinação para que documentos fossem destruídos foi feita também a esposa do parlamentar, Patrícia, e a uma assessora de Lúcio, Milene Pena.

“(..) O declarante, a pedido de Geddel, Lucio e dona Marluce auxiliou na destruição de anotações, agendas e documentos, se recordando que destruiu documentos relacionados a Cosbat; que participaram desse descarte de documentos a secretária Milene Peina e dona Patrícia, esposa de Lúcio Vieira Lima; que os documentos foram colocados em sacos de lixo e descartados, que alguns foram picotados e colocados na descarga do vaso sanitário”, relatou Job. 

Em outro trecho do relatório, o ex-assessor cita que havia uma preocupação de Geddel sobre os repasses delatados por Lúcio Funaro no galpão da Aerostar em Salvador.

“A mais, como mencionado acima quando retratamos o segundo termo de declarações de Job Ribeiro Brandão, essas informações foram motivo de preocupação de Geddel Vieira Lima, posto que este, enquanto esteve em regime de prisão domiciliar, teria determinado a JOB fizesse uma planilha analisando a investigação da Polícia Federal para bater datas, telefones e registros da empresa Aerostar relacionadas aos aviões de Lucio Bolonha Funaro”, aponta o relatório da PF.

Empresário afirma que pegava dinheiro na casa da mãe Geddel e Lúcio

O dono da antiga Cosbat, atual América Engenharia, Luiz Fernando Costa Filho, declarou a Polícia Federal, de acordo com informações da coluna Expresso da revista Época, que buscou no apartamento da mãe de Geddel e Lúcio Vieira Lima a bagatela de R$ 11,5 milhões entre 2011 e 2016.

O montante era pagamento de participação dos peemedebistas em negócios imobiliários em Salvador.“[Costa Filho] foi ao apartamento da Dona Marluce para retirar recursos em espécie e em cheques, ao que se recorda, mais de dez vezes, durante o período de 2011 ao início de 2016”, diz trecho do depoimento. A Cosbat, por exemplo, era a responsável pela La Vue na ladeira da Barra.

Fachin revoga prisão domiciliar de ex-assessor de Lúcio Vieira Lima

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, revogou a prisão domiciliar do ex-assessor do deputado Lúcio Vieira Lima, Job Ribeiro Brandão.

Brandão também foi liberado por Fachin de usar tornozeleira eletrônica. Na última sexta-feira (24), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge , pediu a liberdade provisória de Job Ribeiro. O ex-assessor pretende apresentar provas do crime que narrou e está tentando fechar delação premiada com o Ministério Público.

Aliado de Geddel pede ao STF revogação da prisão domiciliar

Os advogados de Gustavo Pedreira do Couto Ferraz protocolaram no Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição na qual solicitam a revogação da prisão domiciliar do aliado do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Para os defensores, Ferraz colaborou com a investigação e merece os mesmos benefícios de Job Brandão, ex-assessor do irmão de Geddel, o deputado Lúcio Vieira Lima.

Ferraz foi preso no dia 8 de setembro depois de a Polícia Federal encontrar vestígios de suas digitais em algumas notas dos R$ 51 milhões apreendidos em um apartamento de Salvador emprestado ao peemedebista. Depois de quase 50 dias na prisão, Ferraz obteve o direito de permanecer em regime domiciliar após pagar fiança estabelecida pelo ministro Edson Fachin, do STF.

Ao solicitar os mesmos benefícios de Brandão, a defesa de Ferraz cita uma manifestação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Na quinta-feira, 23, Dodge pediu que o STF conceda a liberdade provisória a Brandão por ele ter se mostrado disposto a colaborar com a investigação. À PF, Brandão deu detalhes sobre os R$ 51 milhões apreendidos e acusou a família Vieira Lima de ficar com 80% do seu salário de assessor parlamentar. Ferraz, por sua vez, também à PF, confirmou ter levado uma mala de dinheiro de São Paulo para Salvador a pedido do ex-ministro.

“Gustavo, como se colhe do seu primeiro depoimento na Polícia Federal, no dia de sua prisão (8/9/2017), em Salvador, sem a presença de defesa técnica, cooperou, narrou e sempre se mostrou aberto a colaborar com as investigações. Sem embargo, não é porque o requerente não tem como fazer uma colaboração premiada, por não ter outros fatos a narrar, que não se mostra colaborativo”, diz a peça protocolada pelos advogados Pedro Machado de Almeida Castro e Octávio Orzari.

Além de cooperar com a investigação, os advogados alegam que “não há qualquer indício de reiteração delituosa” por parte de Ferraz e que o prazo para o encerramento da investigação foi ultrapassado sem que uma denúncia fosse ofertada pelo Ministério Público Federal (MPF).

“Como se vê, mostra-se plenamente cabível, jurídica e faticamente, que seja revogada a prisão de Gustavo, que ora se cumpre na modalidade domiciliar, haja vista ter se esgotado, há muito, o prazo das investigações; por ter Gustavo confessado, colaborado e esclarecido os fatos de que tem ciência; por necessitar buscar trabalho e prover seu sustento e de sua família; por aplicação análoga a situação de co-investigado; por ter pago fiança e por estar vinculado ao processo; por força do calendário de julgamentos do STF neste final de ano”, concluem os defensores.

Advogado de Geddel rebate revista e diz que classe luta por “honorários dignos”

A reportagem da revista veja dessa semana retrata os advogados da Lava Jato como magnatas. A publicação aponta que esses advogados enriqueceram trabalhando na defesa de clientes envolvidos na operação e estão recebendo verdadeiras fortunas pelos honorários.

O advogado Gamil Föppel, que defende o ex-ministro Geddel Vieira Lima, afirmou que a reportagem é deplorável e compromete a imagem do profissional do Direito. Em nota à imprensa, Gamil ainda explica que a “realidade da grande maioria dos advogados é de constante luta para ganhar honorários dignos, que garantam sua subsistência e de suas famílias, sem lucros fáceis, apenas trabalho árduo”.

  • Leia a nota na íntegra:

Advocacia é vocação e sacerdócio. A deplorável reportagem da Veja desta semana , indignamente reproduzida por outras tantas publicações , compromete a imagem do profissional do Direito, estigmatizando tão nobre atividade, indispensável à administração da Justiça. A realidade da grande maioria dos advogados é de constante luta para ganhar honorários dignos, que garantam sua subsistência e de suas famílias, sem lucros fáceis, apenas trabalho árduo. Mas que esse ataque à advocacia una a classe, na defesa das prerrogativas e pela dignidade da profissão.

Para salvar malandros, Rui Costa é a favor da extinção do TCM

Durante a entrega de obras de requalificação de ruas no Barbalho e em Macaúbas, na manhã desta terça-feira (28), o governador Rui Costa (PT) mostrou-se favorável à extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Embora tenha dito que prefere deixar a decisão para a Assembleia Legislativa, o petista disse que a economia seria de R$200 milhões por ano.

“O Ceará economizou quase R$200 milhões e agora as contas serão julgadas pelo tribunal de contas do estado. Aqui, economizaríamos R$200 milhões por ano se as contas passassem a ser julgadas pelo TCE. Isso aí os deputados decidem, o Ceará acabou de decidir pela melhoria do gasto público. Agora restam três estados que têm tribunal de contas dos municípios. Toda economia que puder ser transformada em investimento em educação, saúde e infraestrutura é bem-vinda”, ponderou.

Para Rui, é uma “aberração” que o TCM considere gasto de pessoal as despesas com empresas terceirizadas. “É preciso que os órgãos de controle adotem um padrão que se aproxime da coisa justa. Temos 27 tribunais de contas de estados. Nenhum dos 27 considera gasto com empresa terceirizada como gasto de pessoal. Então, se eu licito a PPP do Subúrbio, isso não entra como gasto de pessoal do estado. No caso do TCM, se o município contratar uma empresa de lixo, ele pega parte do salário e lança como despesa de pessoal. Isso é uma aberração. Faz com que a Bahia seja o estado com mais contas rejeitadas. Eu me solidarizo com os prefeitos e acho que é preciso corrigir isso. Quanto a acabar ou não acabar, do ponto de vista da economicidade, minha posição é clara”, assinalou.

 

Fonte: Correio/BN/A Tarde/Tribuna/Ação Popular/Municipios Baianos

Notícias Relacionadas:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *