O Brasil nunca mais foi o mesmo depois da ditadura de 64.

A educação nunca mais foi a mesma.

DitadurasNos anos 60 as escolas públicas e gratuitas eram as melhores. Grandes professores ensinavam os alunos a pensar por si próprios e formaram grande profissionais que foram sufocados pela ditadura. Agora as escolas públicas e gratuitas são as piores. Os professores, mal estimulados e mal pagos se preocupam mais em fazer caber seu orçamento dentro do salário minguado do que com o alimento que deveriam fornecer aos alunos.

O cinema nunca mais foi o mesmo.

O mundo se deslumbrava com grandes obras realizadas por nossos grandes cineastas, “O Pagador de Promessas” der Anselmo Duarte, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, “Vidas Secas” e “Rio, Zona Norte” de Nelson Pereira dos Santos, “O grande momento” e “A hora e a Vez de Augusto Matraga”, de Roberto Santos. Hoje predominam comediazinhas sem graça ou filmes policiais agressivos realizados por cineastas mais preocupados com bilheteria do que com o conteúdo.

A televisão nunca mais foi a mesma.

Emissoras comerciais, como a TV Tupi levavam ao ar grandes peças de teatro, de Sheakspeare, de Sófocles, de Jorge Andrade; quem apresentava o talk-show da TV Record era o brilhante teatrólogo Silveira Sampaio, autor de “A infidelidade ao alcance de todos” e outras comédias com graça, inteligência e humor; a TV Excelsior levou ao ar uma entrevista com Jean-Paul Sartre com cinco horas de duração, em francês e apresentava filmes da nouvelle vague na mesma época em que eram lançados na França; Bibi Ferreira apresentava o “Brasil 61” (mal comparando o “Fantástico” da época) no qual apareciam Jorge Amado, Dorival Caymmi e outros expoentes da nossa cultura, pois ainda havia cultura no Brasil. O divisor de águas foi a fundação da TV Globo, em 1965, que nasceu com ajuda da ditadura e retribuiu ajudando a ditadura a permanecer por 20 anos e daí em diante começaram a predominar as novelas, os programas de fofocas e todo esse lixo que ainda hoje é “campeão de audiência”, com destaque para a lavagem cerebral das crianças brasileiras promovida pela Xuxa, as barbaridades do Faustão e do Luciano Huck, os programas de humor imbecil como “Pânico”, e seus filhotes, humoristas histéricos e insuportáveis como Fábio Porchat, Leandro Hassum e tantos outros que mais se impõem pelos gritos do que pela sutileza, talk-shows comandados por descerebrados como Danilo Gentili, com o estrelato de figuras de salão de cabeleireiro, como Sabrina Sato, com programas que ofendem a inteligência de cachorros, como “Big Brother”, com a ascensão de trogloditas como Ratinho.

A música nunca mais foi a mesma.

Nos anos 60 brilhavam estrelas como Vinicius de Moraes, como Nara Leão, Edu Lobo, Baden Powell, Chico Buarque, Sidney Miller, Jards Macalé, Luiz Melodia, Milton Nascimento, todos esses que – os que continuam vivos – foram colocados na prateleira dos esquecidos e proscritos, que produziram a bossa-nova, estrelas que levantavam e emocionavam plateias com versos contundentes, como Geraldo Vandré e que hoje cederam espaço a oportunistas sem talento que atendem por nomes abjetos, como Wesley Safadão, que têm mais pernas do que voz, como Anitta, como Ivete Sangalo, como toda a coleção de sertanejos e axés que exaltam a cerveja e o sexo sem amor.

O teatro nunca mais foi o mesmo.

Tínhamos grandes companhias teatrais lideradas por Cacilda Becker, Tônia Carrero, Nidia Licia, Maria Della Costa, Sergio Cardoso, Renato Borghi, Ítala Nandi, Fregolente, Italo Rossi que lotavam as salas com grandes montagens de Becket, de Durrenmatt, de Nelson Rodrigues, de Gianfrancesco Guarnieri, tínhamos o Teatro de Arena, o Teatro Oficina, o Ruth Escobar, tínhamos “Cemitério de Automóveis”, “O Balcão”, “Stalin no Terceiro Mundo”, “A Alma Boa de Se-Tsuan”, “Esperando Godot”, “Orfeu do Carnaval”, “Eles não usam black-tie”, que não tinham nem precisavam de Lei Rouanet porque viviam dos aplausos de um imenso público todos os dias da semana.

E hoje proliferam as peças ligeiras, nos fins de semana, escritas por, dirigidas por e estreladas por gente, salvo raras exceções, sem talento e sem estofo, textos sem conteúdo, cenários sem arte, encenações amorfas, opacas que entram e saem de cartaz com a mesma rapidez com que são esquecidas.

A literatura nunca mais foi a mesma. Nunca mais nasceram Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, Campos de Carvalho, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Antônio e, se nasceram, as editoras os ignoraram, preferindo publicar best-sellers que estouraram em outros países e não têm nada a ver com nossa cultura.

O Brasil nunca se recuperou da ditadura de 64.

Não esperamos nada de Sarney nem de Collor nem de Itamar, mas tivemos esperanças em Fernando Henrique Cardoso, que foi uma grande frustração, não trouxe de volta a cultura que perdemos; tivemos esperanças em Lula que sacudiu o país, tirou os pobres dos fundões, mas não trouxe de volta as boas escolas públicas e gratuitas, a grande música, o grande cinema, a grande literatura; tivemos esperanças em Dilma, mas ela fez mais do mesmo e as escolas continuaram abandonadas, o cinema degringolou, a cultura foi pro brejo. No entanto, Fernando Henrique, Lula e Dilma tentaram apagar todo o mal que a ditadura de 64 fez ao Brasil e aos brasileiros. Tentaram incutir energia, alegria e perseverança, nos disseram que tudo poderia ser melhor. Eles, ao menos, tentaram levar o país para frente.

Agora é diferente. Temer é um divisor de águas.

Ele não está tentando recuperar o país do baque de 64. Ao contrário, está destruindo o pouco que seus antecessores fizeram nos trinta anos pós-ditadura. Está nos dizendo que não há luz no fim do túnel. Está trazendo de volta aqueles dias sombrios que emudeceram nossos artistas, que silenciaram suas obras, que conspurcaram suas ideias. Está massacrando nossos sonhos. Está dizendo que devemos ficar quietos.

Temer é a continuação da ditadura de 64.

Temer articula com Gilmar Mendes a antecipação do impeachment

O presidente interino, Michel Temer, tem mexido os pauzinhos para que a votação final do processo de impeachment, que pode afastar definitivamente a presidente Dilma Rousseff, seja antecipado no Senado.

A data para a o julgamento final é 29 de agosto, marcada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Temer, porém, quer que a votação ocorra nos dias 24 ou no máximo 25.

O interino participou na noite de ontem de um jantar na casa do ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, na companhia de senadores, do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e de produtores rurais.

De acordo com parlamentares que participaram do encontro, conforme relato de reportagem da Agência O Globo, Temer disse que irá conversar com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para antecipar a votação.

A articulação envolve também o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com o objetivo de evitar que o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) seja cassado antes do impeachment. Temer teme que, uma vez cassado, Cunha fale o que sabe e imploda seu governo provisório.

Para a cassação de Cunha, falta a leitura em plenário da decisão da Comissão de Constituição e Justiça, que foi contrária ao recurso do peemedebista que pedia a anulação da votação de seu processo de cassação no Conselho de Ética. A leitura foi cobrada ontem pelo líder da Rede, Alessandro Molon (RJ).

O encontro na residência de Gilmar Mendes foi um churrasco em comemoração pela abertura de mercados para a carne bovina brasileira, formalizada nesta segunda. Segundo o Globo, Gilmar confirmou a presença do interino: “O jantar era organizado para o ministro Blairo, mas o presidente resolveu comparecer. Até cheguei depois dele porque tinha sessão no TSE”, disse.

Juristas vão distribuir kit antigolpe no Senado

Um grupo de juristas contrários ao impeachment prepara uma cartada final para tentar convencer senadores a votarem contra o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff no final de agosto.

Eles distribuirão aos parlamentares uma espécie de “kit antigolpe”, que reúne um DVD, um livro e uma carta com conteúdo personalizado, que varia conforme o posicionamento do senador em relação ao processo.

O kit traz a etiqueta “presentes pela democracia”, a gravação da sessão do Tribunal Internacional Sobre a Democracia, que ocorreu em julho no Rio de Janeiro e inocentou Dilma em sentença simbólica, um exemplar do livro “A Resistência ao Golpe de 2016” e a impressão de duas peças do Ministério Público Federal “que constatam não ter havido crime de responsabilidade”.

Fotos do material foram compartilhadas nesta segunda-feira 1º nas redes sociais pelo senador Paulo Rocha (PT-PA). Segundo reportagem de Gibran Mendes para os Jornalistas Livres, o kit será distribuído a partir da próxima semana para três grupos diferentes de senadores: “os golpistas assumidos, os que ainda estão em cima do muro e os defensores da democracia”.

Leia abaixo a íntegra da matéria:

KIT ANTI-GOLPE SERÁ DISTRIBUÍDO PARA SENADORES

Por Gibran Mendes, para os Jornalistas Livres

Um grupo de juristas em defesa da democracia prepara um “Kit Anti-Golpe” que será enviado a partir da próxima semana para três grupos diferentes de senadores: os golpistas assumidos, os que ainda estão em cima do muro e os defensores da democracia. O conjunto será composto por um DVD com a gravação do Tribunal Internacional que julgou o golpe no Rio de Janeiro, uma cópia impressa da sentença da Corte, um exemplar do livro “A Resistência ao Golpe de 2016”, a impressão de duas peças do Ministério Público Federal que constata não ter havido crime de responsabilidade, o manifesto assinado de Fábio Konder Comparato e Dalmo Dallari assinado por outros juristas, além de uma carta específica para cada um dos grupos citados.

“Queremos que todos saibam da decisão que estão tomando até para que, no futuro, não possam alegar desconhecimento. Todos nós sabemos, mas é preciso reforçar, que não há base jurídica, muito pelo contrário. Além disso também desejamos que esse processo todo fique registrado para a história. Que daqui 20 anos nossos filhos possam saber qual foi a narrativa que prevaleceu. Lutamos pela democracia, mas também pela nossa biografia”, explica o advogado e professor universitário Wilson Ramos Filho, um dos organizados da trilogia de livros sobre a resistência ao golpe.

Além da publicação “A Resistência ao Golpe de 2016”, outros dois livros devem ser lançados com temática semelhante. O primeiro deles já tem data agendada. No dia 8 de agosto, durante o Circo da Democracia, evento que será realizado em Curitiba, será lançado “A Classe Trabalhadora e a Resistência ao Golpe de 2016”. Na sequência será a vez do terceiro volume, intitulado “A Resistência Internacional ao Golpe de 2016”.

“As três obras compõem a trilogia que trazem a visão deste momento brasileiro do ponto de vista de juristas, jornalistas, economistas, lideranças populares e sindicais, além de grandes figuras que vivem fora do Brasil e, mesmo distantes fisicamente, fazem a sua parte nesta resistência”, conclui Wilson Ramos Filho.

Noblat revela ação de Temer para salvar Cunha e diz que ele pode ser visto como cúmplice

O colunista do Globo Ricardo Noblat menciona o temor do presidente interino, Michel Temer, de ser prejudicado com revelações do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) depois de cassado.

“Temer repete que Cunha nada tem a dizer que possa embaraçá-lo. Mas reconhece que, acuado, ele poderá provocar um terremoto no Congresso, com consequências inimagináveis para o desfecho do processo de impeachment”, escreve.

“O que Temer não parece avaliar com exatidão é o risco que pessoalmente corre de ser visto como cúmplice ou refém de Cunha. Ou as duas coisas”, afirma Noblat. “Cunha passará. Temer terá pela frente mais dois anos e tanto de um governo difícil, que sem apoio popular não terá êxito”, completa.

Leia aqui a íntegra.

Governo Temer brinca com a sorte. Por Ricardo Noblat

Sob o título “Governo teme que cassação de Eduardo Cunha possa atrapalhar a aprovação do impeachment de Dilma”, escrevi aqui no último dia 21:

“O presidente interino Michel Temer amadurece uma resposta à pergunta que começou a circular desde o início desta semana entre alguns dos seus principais assessores: a eventual cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) prevista para meados de agosto próximo não poderá pôr em risco a aprovação quase certa do impeachment de Dilma na primeira semana de setembro?

A pergunta decorre de um temor que nenhum auxiliar de Temer tem coragem de admitir de público: o de que Cunha, uma vez cassado, faça revelações que possam causar estragos diretos ou indiretos à imagem do governo.”

Temer amadureceu a resposta à pergunta: o melhor é que a cassação do mandato de Cunha fique para depois da aprovação do impeachment.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) já foi informado a respeito. E é por isso que hesita em marcar para logo a sessão de julgamento de Cunha.

Alega que ainda não está seguro de que haverá quorum alto este mês na Câmara para que se vote matéria tão delicada. Com quórum baixo, Cunha poderá escapar de ser cassado.

São 513 deputados. Cassação de mandato depende de 257 votos favoráveis, metade mais um do total. Os votos contrários à cassação não pecisam, sequer, comparecer.

A preocupação do governo aumentou depois que o juiz Sérgio Moro, em decisâo anunciada ontem, negou o pedido da defesa da jornalista Cláudia Cruz, mulher de Cunha, para suspender o processo que ela responde em Curitiba.

Cunha sabe que seu destino está selado. Ele será cassado. Luta para salvar a mulher e a filha da cadeia. As duas são acusadas de terem se beneficiado do dinheiro que ele escondia no exterior.

Temer repete que Cunha nada tem a dizer que possa embaraçá-lo. Mas reconhece que, acuado, ele poderá provocar um terremoto no Congresso, com consequências inimagináveis para o desfecho do processo de impeachment.

O que Temer não parece avaliar com exatidão é o risco que pessoalmente corre de ser visto como cúmplice ou refém de Cunha. Ou as duas coisas.

Cunha passará. Temer terá pela frente mais dois anos e tanto de um governo difícil, que sem apoio popular não terá êxito.

 

 

Fonte: Brasil 247/O Globo/Municipios Baianos/Portalg14

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