vaqueiros-de-toda-bahia-fazem-manifestacao-em-salvador-por-vaquejadaEntre os dias 06 e 07 de novembro, Vaqueiros de toda a Bahia se concentram na cidade de Salvador, para promoverem mais um grande ato em defesa das Vaquejadas.

O objetivo desse ato é sensibilizar a sociedade baiana da importância cultural e socioeconômica que as vaquejadas têm para o nosso Estado, e também, através de uma programação repleta de atividades culturais e esportivas, mostrar que essas atividades podem conviver harmoniosamente e propõem o bem-estar animal.

Estão convidados os praticantes de cavalgada, vaquejada, rodeio, prova do laço, argolinha, ecoterapia, corrida de cavalo e demais esportes equestres praticados no Estado.

Para o deputado Gika Lopes, um dos organizadores do evento e grande defensor das vaquejadas e cavalgadas na Bahia afirma que, “esse será um importante espaço para que a população conheça melhor o nosso esporte. As vaquejadas é uma tradição muito importante em nosso estado, não só pelo que ela representa socioeconomicamente, mas também, pelo seu valor histórico e cultural. Quero convidar a todos os vaqueiros e a sociedade para que venha participar junto conosco desse importante momento” , ressalta o parlamentar.

  • PROGRAMAÇÃO

O evento que conta ainda com a participação das entidades ligadas à prática dos esportes equestres, se inicia neste domingo (06), a concentração será a partir das 07h, no fundo do Parque de Exposições, e após as 12h, sair em cavalgada (saindo pela avenida Dorival Caymmi) em direção a Assembleia legislativa, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). A decisão do horário de saída foi um acordo com a Transalvador, com intuito de não provocar nenhum transtorno a população que realizará o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEN).

Durante a tarde será realizada a missa do vaqueiro e muita programação voltada à família e para os visitantes, como exemplo, passeio de charretes, passeio de pônei, parquinho, shows de repentistas, grupos sertanejos, entre outros.

Na segunda-feira (07), será realizada uma Sessão Especial para debater alternativas que permitam a prática das atividades a cavalo, com bem-estar animal, combate aos maus-tratos e sobre a importância socioeconômica das vaquejadas, logo após, será destinado um espaço para falas no trio elétrico localizado em frente à rampa de entrada da ALBA. E para encerrar o movimento, será realizada uma pequena cavalgada de despedida pelo CAB.

  • ESTRUTURA

Os caminhões e reboques serão enfileirados ao lado do meio fio no CAB, onde pernoitarão com segurança garantida. Terá também espaço delimitado para armar barracas dos que vão passar a noite e água para os animais em caixas de água estrategicamente localizadas. Todos têm que levar alimentos para seus animais. Após a cavalgada de despedida na segunda-feira (07), será destina aos participantes uma rampa móvel para o embarque dos animais.

  • PROGRAMAÇÃO
  • DOMINGO – 06 de Novembro

7h – Concentração no Parque de Exposições

12h – Cavalgada com destino ao CAB

15h – Almoço

17h – Missa do Vaqueiro

18h – Palestras e apresentações culturais

  • SEGUNDA – 07 de novembro

08h – Concentração na Assembleia Legislativa

09h – Sessão Especial

Mesmo após decisão do senado, vaquejadas seguem sendo ilegais

Mesmo após o STF (Supremo Tribunal Federal) tornar ilegal a vaquejada, o Senado aprovou na última terça-feira (1) uma proposta que torna a prática patrimônio e manifestação cultural. O projeto também coloca os rodeios neste patamar.

A aprovação da proposta não significa a liberação da prática. Para isso, seria necessária a aprovação de uma PEC que transforme a vaquejada em modalidade esportiva. Isso já chegou a ser discutido na Câmara, contudo, a discussão pode ser alvo de questionamentos ainda assim.

O texto que torna a atividade em manifestação cultural, de autoria do deputado Capitão Augusto (PR-SP), foi apresentado em 2015 e aprovado na Câmara em maio deste ano. No início de outubro, o Supremo julgou uma ação movida pela PGR (Procuradoria-geral da República) e proibiu a realização das vaquejadas.

A proposta segue agora para sanção do presidente Michel Temer (PMDB). O texto foi ao plenário do Senado em regime de urgência após aprovação de um requerimento, na manhã desta terça, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte.

Vaquejadas são competições em que peões montam cavalos e perseguem um boi até emparelhá-lo e derrubá-lo, puxando o animal pela cauda. A decisão do STF tratou de um caso específico, uma lei estadual cearense que regulamentava a prática, mas cria uma jurisprudência e abre caminho para a proibição da festa em outros Estados.

Projeto que dá à vaquejada status de patrimônio cultural imaterial vai à sanção

Os senadores aprovaram na terça-feira (1º) o projeto de lei da Câmara (PLC 24/2016) que dá à vaquejada, ao rodeio e expressões artístico-culturais similares o status de manifestações da cultura nacional e os eleva à condição de patrimônio cultural imaterial do Brasil. A proposta foi aprovada pela manhã na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), e enviada para votação de urgência pelo Plenário à tarde. O projeto segue agora para sanção presidencial.

De autoria do deputado Capitão Augusto (PR-SP), o PLC 24/2016 foi relatado pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), favorável à matéria. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou uma lei do Ceará que regulamentava a prática da vaquejada por 6 votos a 5. A decisão serve de referência para todo o país.

Além do relator, defenderam e apoiaram a aprovação da proposta os senadores José Agripino (DEM-RN), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Sérgio Petecão (PSD-AC), Raimundo Lira (PMDB-PB), Hélio José (PMDB-DF), Armando Monteiro (PTB-PE), Magno Malta (PR-ES), Lídice da Mata (PSB-BA), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Deca (PSDB-PB), Edison Lobão (PMDB-MA), Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) e outros.

Os parlamentares destacaram o perfil de tradição secular e a importância das vaquejadas e rodeios para a economia regional, principalmente nordestina. Vários deles também afirmaram que a prática constitui um esporte que vem se aperfeiçoando, reduzindo significativamente os possíveis sofrimentos dos animais.

Agripino, por exemplo, argumentou que o animal corre sobre um colchão de 50 cm, sendo comum a presença de veterinários de plantão. Além disso, segundo o senador, esporas são proibidas e é utilizado um rabo artificial. Otto Alencar disse que a prática é uma tradição cultural que está nas raízes do povo nordestino e que se espalhou por todo o país.

Eunício Oliveira, bem como outros senadores, como Fernando Bezerra Coelho e Garibaldi Alves Filho, também classificaram a vaquejada como importante atividade cultural e econômica. Segundo Eunício, o setor emprega mais de 700 mil pessoas. Já a senadora Lídice lamentou que o STF tenha proibido a prática sem antes debater com profundidade a questão junto à sociedade e o Parlamento.

Maus tratos a animais

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) foi uma das poucas a discursar contra a aprovação do projeto. Ela sugeriu que a votação fosse adiada para que houvesse uma discussão mais aprofundada, mas não obteve sucesso. Para Gleisi, os senadores estão indo contra decisão do STF que considera a vaquejada inconstitucional por envolver maus tratos a animais.

A senadora disse que a atividade envolve “crueldade e dor” e é um “desserviço à evolução da humanidade”. Ela também colocou em dúvida se a futura sanção desse projeto terá algum efeito sobre a decisão do STF de proibir a atividade.

— Isso está frontalmente contrário ao que o Supremo Tribunal Federal decidiu: ele decidiu que é uma atividade inconstitucional por ser uma atividade cruel, e, por isso, ela deve ser proibida. Então, nós estamos confrontando uma decisão da Suprema Corte. Nós vamos regulamentar algo que o Supremo Tribunal Federal já decidiu? — ponderou.

Gleisi e os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Reguffe (sem partido-DF) e outros registraram voto contrário ao projeto. O senador Humberto Costa (PT-PE), absteve-se de votar.

Manifestações similares

Além da vaquejada e do rodeio, o PLC estabelece como patrimônio cultural imaterial do Brasil também outras atividades, como as montarias, provas de laço, e apartação; bulldogging; provas de rédeas; provas dos Três Tambores, Team Penning e Work Penning, paleteadas, e demais provas típicas, tais como Queima do Alho e concurso do berrante, bem como apresentações folclóricas e de músicas de raiz.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os bens culturais de natureza imaterial dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em “saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas)”. O órgão entende que o patrimônio imaterial “é transmitido de geração a geração, constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana”.

Já são reconhecidas como patrimônio cultural imaterial do Brasil: Arte Kusiwa (pintura corporal e arte gráfica Wajãpi), Cachoeira de Iauaretê (lugar sagrado dos povos indígenas dos Rios Uapés e Papuri), Bumba meu boi do Maranhão, Fandango Caiçara, Feira de Caruaru, Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis (GO), Frevo, Samba, modo artesanal de fazer queijo de Minas nas regiões do Serro e das serras da Canastra e do Salitre, ofício das Baianas de Acarajé, Ofício dos Mestres de Capoeira, e o Tambor de Crioula do Maranhão.

 

 

Fonte: Bahia Já/ANDA/Agencia Senado/Municipios Baianos

 

 

Brasil completou giro à direita. Quanto tempo aguentará?

Share Button