São João é o festejo popular mais comemorado pelos brasileiros depois do Carnaval. As celebrações, em homenagem aos santos católicos Santo Antônio, São Pedro e o próprio São João, movimentam o calendário a partir de maio, tem seu ápice no mês de junho, e são terminam em agosto. Do total de mil eventos cadastrados no Calendário Nacional de Eventos Turísticos, do Ministério do Turismo, 54 são dedicados à festa que combina religiosidade popular, comidas típicas, danças típicas e muita música regional, movimentando o turismo País.

O Nordeste é a região que concentra o maior número de festas e as maiores atrações do período. Entre os grandes eventos que abrangem praticamente todo o mês de junho – de 4 a 26 – estão as festas de Caruaru (PE), Campina Grande (PB) e Mossoró (RN). Todas as capitais da região comemoram o São João com shows populares, além dos tradicionais arraiás, nos bairros, e os festivais de quadrilhas juninas. Outras capitais com tradição nos festejos são Aracaju (SE), Teresina (PI), e Salvador (BA).

“O São João é uma manifestação cultural com um grande potencial turístico para atrair visitantes brasileiros e estrangeiros interessados em conhecer melhor as tradições das festas juninas. Para isso estamos trabalhando para fortalecer esses festejos como produtos turísticos e prova disso é a inclusão deles no Calendário Nacional de Eventos”, afirmou o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves.

Os maiores

Campina Grande (PB) e Caruaru (PE) disputam o título de quem faz o maior e melhor São João do Mundo e atraem multidões ao longo do mês de junho. São apresentações e atrações que vão dos ícones da cultura local aos grandes nomes da música nacional. Ainda no Nordeste, os festejos de São Luis (MA) também se destacam pelo rufar dos tambores e diferentes sotaques da música local em uma celebração que mistura festa junina com Boi-Bumbá.

Em Mossoró (RN), o espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró” dá um toque especial à festa. Ao longo da programação junina, a cidade revive o o 13 de junho de 1927 (também dia de Santo Antônio), quando até as torres das igrejas serviram de trincheiras para enfrentar o bando de Lampião, que experimentou na ocasião sua primeira derrota após a própria população ter resistido, armada, contra o bando do famoso cangaceiro.

Nas demais regiões, as festas juninas adquirem características locais como o Forrozão Marajoara e Salvaterra na Roça (PA), Arraiá Caiçara (SP), Arraial Anaua e Macuxi (RR). Há ainda o São João do Cerrado (DF) e o Banho de São João de Corumbá (MS), ritual que termina com a condução da imagem do santo até o Rio Paraguai.

Crise chega para as festas de São João que fazem sucesso no Nordeste

Começou, na noite de sexta-feira (5), em Campina Grande (PB), uma das maiores festas de São João do Nordeste. A cidade espera receber 2 milhões de visitantes até o fim do mês.

A festa na cidade começa às 20h e vai até as 4h da manhã. O Parque do Povo fica no centro de Campina Grande. É onde milhares de turistas de todo o Brasil e até de outros países vão assistir a mais de 100 atrações que vão passar pelo palco principal.

Ao longo deste mês tem shows de Alceu Valença, Elba Ramalho e Zé Ramalho e outros nomes da música brasileira. E tem comida para todo mundo: são 300 barracas com restaurantes e quiosques com pratos típicos.

Mas essa festa acontece em meio a uma crise hídrica. A cidade e a região tem racionamento de água toda semana de sábado a terça. O Parque do Povo está sendo abastecido por carros-pipa.

CRISE EM PERNAMBUCO

Em Pernambuco as festas juninas estão sofrendo com a falta de verbas e patrocínio. Em 12 cidades as festas foram reduizidas pela metade. Em sete, elas foram simplesmente canceladas.

Na área tradicional do comércio de produtos juninos, no centro do Recife, o trio de forró até que tenta atrair os clientes, mas nas lojas sobram os tecidos usados para confeccionar a roupa de matuto e o figurino das quadrilhas.

Só em uma loja, as compras de cada grupo chegavam a R$ 10 mil e normalmente os pedidos eram feitos com antecedência. Ninguém queria correr o risco de deixar para a última hora e não encontrar o tecido e a estampa que mais combinavam com o tema da quadrilha.

“Não é como antes, que acabava o estoque, tinha que fazer pedido rápido, os clientes todos querendo, deixando seus pedidos prontos e a gente já sentindo falta disso aí. Realmente está muito fraco mesmo”, conta a vendedora Cleides Martins dos Santos.

Uma quadrilha de Moreno, no Grande Recife, é conhecida em toda região. Em 2014, foi finalista de um concurso que reuniu concorrentes do nordeste inteiro. Neste ano não tem festa para os integrantes. Faltou o patrocínio das empresas da cidade.

“Com a dificuldade financeira da gente, a gente sentiu que era melhor dá uma paradinha neste ano e no ano que vem a gente sair com toda força, se Deus quiser”, diz Erinaldo Barbosa, presidente da quadrilha.

Não vai ter festa para a quadrilha e nem para muita gente no estado. A cidade de São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, é uma das sete já confirmaram a suspensão dos festejos juninos.

São João em 157 cidades nordestinas vai ser patrocinado por estatal

Os forrozeiros Adelmário Coelho, Targino Gondim e Léo Macêdo participaram, na quinta–feira (5), do projeto Prosa em Canto: Um Papo Animado Sobre a Tradição do São João, promovido pela Petrobras no Restaurante Grande Sertão. Na ocasião, o gerente de Comunicação Institucional da Petrobras Nordeste, Darcles Andrade, apresentou a proposta de patrocínio da empresa para os Festejos Juninos 2014.

Ao todo, serão R$ 11 milhões distribuídos em 157 festas pelo Nordeste. Só na Bahia são 134 cidades contempladas. Durante o encontro, os músicos falaram sobre as lembranças que carregam da festa junina e a importância do resgate das tradições nordestinas. “O forró é paixão, sentimento. A nossa cultura é muito importante e temos que defender o que é nosso”, afirmou Adelmário.

Targino lembrou da mãe, dona Maria Gondim, que fazia questão de reunir a família no período junino: “A festa lá em casa começa cedo, com São José e Santo Antônio. Tinha pamonha, canjica e eu dançava quadrilha”. Segundo Darcles Andrade, da Petrobras, o compromisso é o de valorizar a tradição brasileira.

“Começamos com esse plano de investimento em 2005, e desse ano a 2013 foram R$ 44 milhões investidos e 760 cidades patrocinadas. Os números são grandiosos e esperamos que as prefeituras promovam o resgate da cultura nordestina”, frisou. Léo Macêdo, da banda Estakazero, destacou a importância de projetos como o Circo Junino, realizado pela Petrobras, para o resgate das manifestações culturais tradicionais das festas de São João.

“As festas de São João cresceram. Então, é importante valorizar iniciativas como o Circo Junino com essa formação menor, com a zabumba e a sanfona, como a Estakazero começou”, lembrou. O evento ainda contou com a presença de Alberto Freire, doutor em Cultura pela Ufba, que falou sobre a ancestralidade nordestina e lançou o seu livro Culturas dos Sertões (Edufba/R$ 25/256 páginas).

 

 

 

Fonte: Portal Brasil/G1/Correio/Municipios Baianos

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