No mesmo dia em que o relator do processo de cassação contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) expôs que o peemedebista praticou “escancarada tentativa de dissimular a existência de bens”, “omissão deliberada” e uso de “requinte e tecnicidade” para “esconder práticas ilícitas” com, inclusive, “robustez de provas”, a força-tarefa da Lava Jato divulga uma investigação de pagamento de mais de meio milhão de reais de empresa financiadora de campanha do PMDB diretamente à esposa do deputado, Cláudia Cruz.

As informações estavam com a equipe de investigadores há mais de um mês. Isso porque foi em abril deste ano que Cláudia prestou depoimento à equipe da Vara Federal de Curitiba, admitindo que a abertura de conta secreta no exterior em seu nome foi sugerida por Cunha e que o próprio deputado autorizava os seus gastos em lojas de luxo, sem ter conhecimento “da origem do dinheiro” e, até mesmo, não ter “ideia de quanto ganha um deputado federal”.

Cláudia Cruz prestou depoimento, acompanhada de seu advogado, no mesmo dia em que a filha de Cunha, Danielle Dytz da Cunha, também concedeu informações aos investigadores. Ambas são alvos da Operação Lava Jato nas mãos de Sergio Moro, porque o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, autorizou o desmembramento do inquérito contra Cunha, levando as duas investigadas à primeira instância.

Os depoimentos reforçando que Cunha era quem tinha o controle sobre a vida financeira delas seria a estratégia da esposa e da filha de Cunha para terem seus casos investigados junto ao do peemedebista, no STF.

Um dos focos da força-tarefa em Cláudia é que os investigadores descobriram que uma empresa do grupo Libra, que opera um terminal no porto de Santos e área de influência do PMDB e do interino Michel Temer, repassou R$ 591 mil à empresa C3 Produções Artísticas e Jornalísticas, controlada por Cláudia.

A Libra já foi beneficiada por Eduardo Cunha no Congresso, em emenda para a medida provisória dos portos, em 2013, que permitiu ue a empresa aderisse à uma arbitragem para quitar a sua dívida com a União.

Mas em resposta aos procuradores e Polícia Federal, Cláudia disse não se recordar do motivo do pagamento, que utiliza a empresa para atividades remuneradas, como a de mestre de cerimônias, e que o preço dos eventos “variava muito”. “Não se recorda a razão do pagamento de R$ 591.254,99 que a empresa C3 recebeu da Libra Terminal em abril de 2007”, publica trecho do relatório do depoimento.

Cláudia ainda afirmou que “nunca tomou conhecimento de nenhuma atividade empresarial desenvolvida por Eduardo Cunha no exterior”.

Ao contrário do que afirmou a sua própria esposa aos investigadores, o deputado peemedebista justificou ao Conselho de Ética da Câmara, onde tramita o seu processo de cassação, que apenas era “dependente” da conta de cartão de crédito de Cláudia e que, por isso, não poderia responder por possíveis atos de sua mulher.

“As despesas efetuada no exterior, o titular era minha esposa, todos os gastos foram feitos por conta de cartão de crédito dela. (…) Eu era apenas dependente de cartão de crédito da minha esposa. (…) A minha esposa não é deputada, não está sujeita a representação”, havia dito.

Na ocasião, Cunha também negou que os R$ 9 milhões bloqueados em contas na Suíça eram de sua titularidade, mas de trusts (administradoras de recursos de terceiros) a quem ele teria delegado a gestão de parte de seu patrimônio. “Se o dinheiro dessa conta compra um vinho de mil dólares, eu pergunto ao senhor, quem bebe o vinho, o senhor ou o trust?”, havia rebatido o deputado Julio Delgado (PSB-MG), um dos principais adversários de Cunha, naquela sessão.

Mas o deputado acusado se limitou a responder que não era titular do cartão de crédito de sua esposa.

Em contrapartida, Cláudia relatou aos investigadores da Lava Jato que ela “perguntou a Eduardo Cunha se poderia fazer aquisições de luxo e ele autorizava”, responsabilizando, assim, o próprio marido, na tentativa de se auto-defender. “A depoente não declarou a conta às autoridades brasileiras porque quem era responsável por isto era Eduardo Cunha”, ainda disse.

A denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo revela que Eduardo Cunha manteve gastos milionários com lojas de luxo, hotéis e restaurantes de alto padrão no exterior, entre os anos de 2012 e 2015. Cláudia e a filha reconheceram as despesas e afirmaram que não questionaram a Cunha a origem dos recursos.

Em resposta ao parecer pela cassação do deputado, com a leitura realizada nesta quarta-feira (01) pelo relator Marcos Rogério (DEM-RO), o peemedebista acusou o deputado de querer “holofotes” e que fez “sua pirotecnia, buscando os cinco minutos de holofote”. Cunha afirmou que “faz três dias que [Marcos Rogério] está anunciando assim”, considera um “absurdo e eivado de nulidades” no parecer que irá contestar e se disse esperançoso: “espero ver derrotado no Conselho. Caso contrário, recorrerei à CCJ e espero obter decisão favorável”, respondeu.

Mulher de Eduardo Cunha está achando que a gente é trouxa?

Claudia Cruz, mulher do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha,  tem certeza de que somos todos uns imbecis, uns idiotas, trouxas. Sério… é só o que explica tamanha cara dura ao dar depoimento na Lava Jato.

Ouvida pelos investigadores da Operação de Curitiba, que apura um depósito de R$ 591 mil realizado por empresa do grupo Libra, doadora do PMDB, nas contas da empresa C3 Produções Artísticas e Jornalísticas, de Cláudia, a jornalista disse que “não se recorda da razão do pagamento de R$ 591.254,99 que a empresa C3 recebeu da Libra Terminal em abril de 2007”.

Super normal, né? Afinal, quem aí também se lembraria de um depósito de quase 600 mil reais em sua conta? Isso é coisa que acontece todo dia, com todo mundo, não é mesmo? E fica ainda mais cara de pau, essa senhora Claudia, ao dizer que a abertura de sua conta secreta no exterior foi sugerida pelo deputado e que ele próprio autorizava os gastos em lojas de luxo.

Também é algo tão corriqueiro, não acham? Que maridão não chega com a papelada, pede para a bela, recatada e do lar assinar aqui e ali e, bingo!, oferece um cartão de crédito internacional para gastos ilimitados em produtos de luxo.

Dona Claudia também disse que nunca fez perguntas sobre a origem do dinheiro. Que mulher, afinal, pergunta quanto ganha o marido? Coisa de esposa enxerida, não é mesmo? Especialmente um marido que exerce um cargo público, cujos ganhos são divulgados abertamente. É tão difícil ver que essa conta não fecha?  Claudia garantiu que nunca tomou conhecimento de nenhuma atividade empresarial desenvolvida por Eduardo Cunha no exterior. Mesmo assim, achou super normal ter conta lá fora, com uma dinherama sem fim.

Cunha, por sua vez,  já declarou que o patrimônio no exterior vem de trabalho em comércio exterior nos anos 1980.  Mas, veja bem, ele era apenas “dependente” da conta de cartão de crédito de Cláudia. Que, segundo ela, foi ele que abriu para ela. Gente, tá confuso issaê!

Sobre um dos acionistas da empresa que fez esse depósito baixinho em suas contas, Gonçalo Torrealba, a senhora Claudia disse conhecer socialmente. Já a filha de Cunha, Danielle Dytz, afirmou que ele é “amigo” de seu pai. Isso, pelo menos, a gente já entendeu. Amigão, né?

Relator pede cassação de Eduardo Cunha no Conselho de Ética: “Mentiu à CPI”

Marcos Rogério (DEM-RO), relator do processo contra o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pediu no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados a cassação do mandato do peemedebista nesta quarta-feira. Na avaliação de Rogério, Cunha quebrou o decoro parlamentar quando mentiu na CPI da Petrobras ao dizer que não possui contas bancárias no exterior. Em uma sessão que durou pouco mais de seis horas, Rogério se debruçou sobre quatro trustes que são investigadas pelo Ministério Público como sendo do peemedebista e refutou a tese da defesa de que não há provas de que Cunha não possui contras fora do Brasil.

“O deputado Eduardo Cunha mentiu à CPI, pois sempre soube e teve pleno conhecimento de que ele era o verdadeiro proprietário do dinheiro [dos trustes na Europa]”, disse Rogério. Nas 84 páginas de seu relatório, o deputado afirmou a quebra de decoro parlamentar por Cunha é “cristalina”. “Os trustes instituídos pelo deputado Eduardo Cunha representaram, na verdade, instrumentos para tornar viável a prática de fraudes: uma escancarada tentativa de dissimular a existência de bens, sendo tudo feito de modo a criar uma blindagem jurídica para esconder os frutos do recebimento de propinas cujos valores foram relatados por testemunhas e lastreiam a denúncia já recebida do Supremo, também confirmada perante este conselho”.

Apesar de o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA) ter proibido que Rogério incluísse a questão do recebimento de vantagens indevidas por parte de Cunha, o relator não cumpriu a ordem inteiramente. Ele alegou ao longo de seu voto que Maranhão buscou artificialmente restringir o objeto da investigação e citou que Cunha teria recebido recursos de origens ilícitas em contas no exterior. “Não pode o Conselho de Ética curvar-se a mais uma canetada da presidência dessa Casa”, disse Marcos Rogério. Quando pediu a cassação, porém, não incluiu o artigo que trataria da questão do recebimento de recursos ilegais.

Antes mesmo da inclusão do tema vantagens indevidas, porém, Cunha já havia dito que iria pedir a anulação do processo. Na sessão desta quarta-feira, o defensor dele, o advogado Marcelo Nobre reclamou que boa parte do relatório se baseia em delações premiadas feita por investigados na operação Lava Jato. “O que delação prova? Não prova nada”. O advogado destacou ainda que oito das dez testemunhas elencadas pela acusação não prestaram depoimento no Conselho de Ética porque nenhuma delas conseguiria provar a existência de contas de Cunha no exterior. “Não existem provas”, afirmou Nobre ao menos quatro vezes.

Ao fim, o advogado disse que o relator Marcos Rogério deixou a emoção se sobrepor à razão. “Ele manobrou. Não conseguiu encontrar nenhuma prova contra meu cliente e deixou-se levar pela emoção”, afirmou Nobre. Tanto Rogério quanto o presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), emocionaram-se e choraram quando concluíam seus discursos.

Se não houver novas manobras ou decisões monocráticas, o processo contra Cunha no Conselho de Ética deve acabar na próxima terça-feira, quando haverá a votação do relatório com o pedido de cassação de Cunha.

Cunha: Conselho de Ética deve votar texto de relator na próxima semana

O deputado Marcos Rogério (DEM-RO), relator do procedimento instaurado contra o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética, pediu ontem, durante leitura do relatório, a cassação do mandato do parlamentar. Rogério e o presidente do colegiado, José Carlos Araújo, emocionados, choraram ao fim da sessão. Em 84 páginas, com provas contundentes, o relator atestou que o peemedebista mentiu à CPI da Petrobras, em 2015, ao negar que teria contas no exterior.

O parlamentar detalhou informações sobre quatro contas secretas, utilizadas na Suíça para esconder dinheiro sujo de propina proveniente do esquema de corrupção da Petrobras. São elas: Orion, Triumph, Netherton e Kopek. Assim que a leitura foi concluída, após seis horas, aliados de Cunha pediram vista coletiva, cujo prazo pra devolução é de dois dias úteis — com isso a votação do texto deve ocorrer na semana que vem, provavelmente na quinta-feira. Levantamento feito com integrantes do colegiado aponta uma vantagem de Cunha. Seus aliados somam 10 votos. Os contrários ao presidente afastado são nove. A deputada Tia Eron (PRB-BA), até o momento, é a única indecisa. Em caso de empate, o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo, que defende a cassação, pode votar.

O relatório atestou que “o deputado Eduardo Cunha mentiu à CPI, pois sempre soube e teve pleno conhecimento de que ele era o verdadeiro proprietário do dinheiro”. Marcos Rogério destacou ainda que houve várias omissões do peemedebista em relação à Receita Federal. “Durante anos, o deputado Eduardo Cunha omitiu à Câmara dos Deputados, e nas sucessivas declarações de Imposto de Renda apresentadas à Receita Federal, a titularidade de milhões de dólares no exterior”, salientou.

Em seguida, o voto do relator afirma que “quando prestou depoimento à CPI da Petrobras, em 12 de março de 2015, ocasião em que afirmou nunca ter tido contas fora do Brasil, o representado havia acabado de retornar de Paris, viagem na qual ele, a esposa e a filha gastaram com cartões de créditos vinculados a contas na Suíça no valor de 46.601,56 dólares em hotéis, lojas e restaurantes de luxo”.

STF rejeita recurso e Cunha segue réu na Lava Jato

O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou nesta quinta-feira (2), por unanimidade, o recurso apresentado pelo presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para tentar reverter a decisão da Corte de transformá-lo em réu na Operação Lava Jato.

O relator do caso, ministro Teori Zavascki, apontou “mero inconformismo” da defesa de Cunha na decisão do Supremo de fazê-lo responder a processo por suspeita de receber propina em contratos de compras de navios-sonda da Petrobras. O ministro também afirmou não haver dúvida sobre o julgamento do caso pela Corte.

De acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Cunha recebeu US$ 5 milhões de um contrato da petroleira entre 2006 e 2007. Os recursos da ex-deputada federal Solange Almeida (PMDB-RJ), denunciada na mesma ação, também foram rejeitados. Ela, que é atual prefeita do município fluminense de Rio Bonito, é acusada de usar o cargo na Câmara dos Deputados para atender os interesses de Cunha no esquema de corrupção da estatal.

Para os advogados de Cunha, havia “obscuridade” na decisão tomada em março pelo Supremo de aceitar a denúncia de que o peemedebista cometeu crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, por seu suposto envolvimento no esquema de desvios na Petrobras. Já a defesa de Solange argumentava não haver, nem na denúncia nem no acórdão publicado pelo STF, qualquer indício de que ela tenha recebido “vantagem indevida”.

O fato de Cunha ser réu na Lava Jato foi um dos argumentos usados pelos ministros do STF para determinar, em maio, o afastamento do peemedebista do mandato e do comando da Câmara. Na avaliação dos ministros, a condição seria incompatível com o fato de estar na linha sucessória da presidência da República. Na ocasião, os magistrados também argumentaram que Cunha usava o cargo para impedir os avanços das investigações contra ele, tanto na Justiça como no Conselho de Ética da Câmara.

Temer tenta evitar reversão do impeachment de Dilma

O presidente interino Michel Temer começou uma articulação política para evitar que um grupo de senadores desista do afastamento de Dilma Rousseff no julgamento final do processo de impeachment, em fase final de tramitação no Senado. Nesta quarta-feira (1º), Temer recebeu no Palácio do Planalto José Maranhão (PB), Edison Lobão (MA) e João Alberto (MA), todos do PMDB e mencionados em listas de parlamentares ainda em dúvida sobre a saída definitiva da petista.

Lobão foi ministro de Minas e Energia de Dilma, votou a favor do afastamento da petista na decisão sobre a admissibilidade do processo, mas resiste à saída definitiva da ex-chefe. Em menor grau de resistência, Maranhão também está em dúvida sobre o impeachment, apesar de ter votado a favor da abertura do processo. João Alberto votou pela permanência da petista no cargo. Na sessão do Senado que admitiu o afastamento temporário de Dilma, em 12 de maio, 55 senadores votaram a favor, apenas um além do número mínimo exigido pela Constituição.

Acompanhados do ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Geddel Vieira Lima, os senadores Maranhão, Lobão e João Alberto passaram algumas horas em uma sala ao lado do gabinete de Temer e tratavam do assunto com o chefe interino do Executivo entre uma audiência e outra. Quando Temer precisava receber visitas, Geddel se encarregava de continuar a conversa para garantir os votos dos três congressistas, no sentido de convencê-los a avalizar a saída definitiva de Dilma Rousseff da Presidência da República.

Helio José

O senador Hélio José (PMDB-DF) também foi recebido durante a tarde desta quarta-feira (1º) pelo ministro Geddel. As dúvidas do parlamentar assustaram o ministro. “Dei um voto técnico quando fui a favor da admissibilidade do processo, mas os argumentos do relatório da comissão processante sobre as pedaladas fiscais e o crime de responsabilidade são frágeis”, argumentou José.

Os parlamentares que estiveram com Temer e Geddel reconhecem que a votação final do afastamento de Dilma dependerá muito das articulações políticas entre o Planalto e o Senado, e do que a Operação Lava Jato trouxer de informações nos próximos meses. “Teremos quatro meses de grandes emoções”, disse Hélio José ao Congresso em Foco

Romário renuncia

A preocupação do Planalto aumentou no início desta noite, quando o senador Romário (PSB-RJ) renunciou à sua vaga na comissão processante do Senado, colegiado com 20 integrantes que julga a presidente afastada e autorizou o envio do processo ao plenário com o apoio de 15 senadores. Além de Romário, aparecem na lista de possíveis votos contra a saída definitiva de Dilma os senadores Cristovam Buarque (PPS-DF) e Acir Gurgacz (PDT-RO). Os dois votaram pela abertura do processo, mas podem mudar de opinião.

O senador Petecão (PSD-RO), que também admitiu a abertura de processo, também é contabilizado como parlamentar em dúvida sobre o afastamento definitivo de Dilma. Ele tem dito a alguns colegas que, se o ministro Gilberto Kassab, presidente do seu partido, não atender às suas reivindicações de compartilhar a gestão da pasta com as bancadas de deputados e senadores da legenda, não se constrangerá em votar pelo retorno da presidente ao cargo.

Procurada, a assessoria de imprensa  do Planalto não se manifestou.

 

 

 

Fonte: Jornal GGN/BlogdaDB/El País/Correio Braziliense/Municipios Baianos/Portalg14

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