DengueOnde adoecer dá lucro. Após um ano marcado por centenas de mortes causadas por uma doença tropical, e um ano de escândalos relacionado ao Zika vírus, e a epidemia de microcefalia marcando toda uma geração, chega a noticia de que a vacina para dengue custará perto de mil reais, entre R$ 750 a R$ 915.

A vacina produzida pelo laboratório Sanofi Pasteur já está disponível em cidades como São Paulo, Campinas e Porto Alegre; foi autorizada para comercialização na ultima semana, o imunizante chamado Dengvazia produzido em laboratório francês. Ele está disponibilizado para pessoas de 9 a 45 anos, e sua aplicação deverá ser agendada.

O valor é mais que o dobro definido pelo Comitê Técnico Executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), autoridade federal responsável pela regulação de preços de medicamentos. Contudo, o laboratório de capital internacional alega que o aumento do custo é resultado de despesas com infraestrutura e mão de obra das instituições de saúde que aplicam a vacina. O que não alega é o lucro que o capital Francês está colocando em cima de cada medicamento.

O valor mais baixo, segundo pesquisa feita pelo Jornal Estado de São Paulo, é encontrado na capital, no bairro de Santana, por R$ 250 reais a dose, e são necessárias 3 doses para a imunização do individuo, ou seja, R$ 750 reais no total.

Esse ano em fevereiro, o Brasil registrou 802.249 casos prováveis de dengue até o dia 2 de abril, segundo boletim epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde , e 91.387 casos prováveis de Zika. Aumentou 13,8% os casos de dengue em relação a 2015, que chegou a 1.649.008 casos.

Quanto às mortes, foram confirmadas até 2 de abril, 140 mortes, em 2015 no mesmo período tinham sido 427 mortes causadas pela dengue. Quanto ao Zika, das notificações, 7.584 foram em gestantes, num país onde constam 7.150 notificações de microcefalia provavelmente relacionadas ao vírus da zika desde 22 de outubro de 2015 até 16 de abril deste ano, das quais 1.168 foram confirmadas.

Esses são os números de um pais onde a população ainda padece por conta de doenças tropicais, as quais o Estado deveria garantir investimento para que laboratórios e universidades pesquisem e desenvolvam vacinas gratuitas e eficientes para a população. Não só se trata de um problema de saúde pública, como o direito a vida saudável da população deveria ser garantida pelo estado.

O contrário de destinar ao capital privado o desenvolvimento tecnológico e patentes para que este lucre em cima da doença de milhares de pessoas. Ainda, está em fase de testes uma vacina brasileira desenvolvida pelo Instituto Butantã, do governo paulista. Contudo também não há garantia tão pouco da gratuidade e qualidade do atendimento.

Uma vez que o próprio ministro da saúde alegou em entrevistas que não há financiamento para atender a toda a população, e que as pessoas devem procurar planos particulares.

EUA começa a testar vacina contra zika em pessoas

Os Estados Unidos começaram a testar em humanos uma nova vacina contra o zika vírus enquanto Estados do sul, como a Flórida, registram os primeiros contágios e começam as tarefas de dedetização.

A atual epidemia do zika já afeta 67 países onde existe transmissão por mosquitos. O vírus só causa sintomas em um de cada cinco contagiados, mas em alguns casos pode provocar más-formações no cérebro do feto e problemas neurológicos em adultos.

O Brasil é, de longe, o país mais afetado, com mais de 1.700 bebês com microcefalia associada ao zika. Nos EUA, um bairro de Miami já registrou 14 contágios pela picada de mosquitos autóctones. O Centro de Controle de Doenças recomendou que as mulheres grávidas não viajem para a região. O país registrou mais de 1.600 casos de zika, na maioria importados por viajantes, e 18 casos de más-formações fetais possivelmente relacionadas com o vírus, segundo a Organização Mundial da Saúde.

A nova vacina foi desenvolvida pelo setor de doenças infecciosas dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e é uma entre várias candidatas que pretendem começar a testar em humanos nos próximos meses.

“Os resultados dos testes em animais foram muito promissores”, disse Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, em um comunicado de imprensa difundido por essa instituição. “Estamos contentes por poder começar a testá-la em humanos”, afirmou, “apesar de que ainda levará algum tempo antes que tenhamos uma vacina comercial disponível”.

Um total de 80 voluntários saudáveis vai participar deste primeiro estudo, que será desenvolvido em três unidades médicas com o objetivo principal de demonstrar que o tratamento é seguro. A vacina consiste de um fragmento de DNA conhecido como plasmídeo, que produz várias proteínas do vírus do zika. Por si só são incapazes de infectar, mas quando começam a ser produzidos dentro do corpo o sistema imunológico os reconhece e cria anticorpos e glóbulos brancos capazes de lutar contra uma infecção real. A vacina se baseia em outra já desenvolvida contra o Vírus do Nilo Ocidental.

Os primeiros dados sobre a segurança e resposta imunológica são esperados para janeiro de 2017. Se os resultados forem favoráveis, terá início uma segunda rodada de ensaios (fase 2) no próximo ano nos países afetados pelo vírus. Por último, seria preciso realizar uma terceira rodada de testes sobre a eficácia da vacina. No total, esse processo leva no mínimo vários anos.

 

Fonte: Esquerda Diário/El País/Municipios Baianos/Portalg14

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