A descoberta de que a Odebrecht mantinha um banco no exterior, em sociedade com o grupo Petrópolis, da cervejaria Itaipava, para realizar pagamentos de natureza política, pode esclarecer o conteúdo do listão da empreiteira, apreendido na Operação Xepa, uma das etapas da Lava Jato.

Com o vazamento da lista, surgiram indícios de que a Odebrecht distribuiu pelo menos US$ 117 milhões para o pagamento de propina entre 2008 e 2014. A novidade é que, agora, o operador Vinícius Veiga Borin revelou que a compra do Meinl Bank, pela Odebrecht e pelo empresário Walter Faria, do grupo Petrópolis, visava facilitar o pagamento de propinas.

Na reportagem desta segunda-feira, o jornal O Globo cita Aécio como um dos beneficiários dessas doações. “O delator não envolve diretamente a cervejaria no esquema, só informa que era sócia da Odebrecht no banco e que distribuidoras de bebidas ligadas ao grupo Petrópolis fizeram doações eleitorais. Na 23a. etapa da Lava-Jato, foi achada com um diretor da Odebrecht planilha em que essas empresas aparecem fazendo doações a políticos, entre eles Aécio Neves (PSDB-MG).”

O Globo se refere à empresa Leyroz, que doou R$ 1,6 milhão a Aécio e ao PSDB em 2010, no ano em que ele concorreu ao Senado Federal, após dois mandatos como governador de Minas (saiba mais sobre o caso aqui). À época, Aécio declarou que as doações foram legais e declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral.

Até tucanos acham que delações complicam planos de Aécio

As coisas poderiam estar tranquilas e favoráveis para Aécio Neves, pois Dilma foi afastada, Lula virou assunto para o doutor Sérgio Moro e Temer aparece nas sondagens eleitorais com um percentual nanico de 2%. Entretanto, os planos presidenciais de Aécio também se dissolvem no caldeirão flamejante da Lava Jato.

Em privado, até os companheiros de partido de Aécio avaliam que são remotas as chances de ele conseguir restaurar a biografia até 2018. O nome de Aécio frequenta os lábios de delatores com uma frequência embaraçosa. Foi citado pelo doleiro Alberto Yousseff, pelo senador cassado Delcídio Amaral, pelo ex-deputado mensaleiro Pedro Corrêa e pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Por ora, Aécio já foi brindado pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot com um par de pedidos de inquérito no STF. O mais espinhoso destina-se a investigar denúncia reiterada por Delcídio sobre a alegada participação do grão-tucano num esquema de coleta de propinas na estatal elétrica Furnas.

Sérgio Machado, um ex-tucano convertido ao PMDB, acusou Aécio de receber dinheiro de empreiteiras por baixo da mesa. Ele cita episódio que diz ter ocorrido em 1998, quando Aécio se equipava para disputar o comando da Câmara. Com a ajuda de Machado e do ex-governador alagoano Teotônio Vilela Filho, Aécio teria amealhado R$ 7 milhões para aplicar nas campanhas eleitorais de 50 deputados do PSDB. Desse total, disse Machado, Aécio teria retido R$ 1 milhão em dinheiro vivo.

Mesmo os líderes tucanos que duvidam da culpa de Aécio acham que ele dificilmente conseguirá se desvencilhar completamente das suspeitas até 2018. Recorda-se, de resto, que há novas delações por vir. Receia-se que seu nome seja levado novamente às manchetes de ponta-cabeça depois que vierem à luz as revelações da turma da OAS e da Odebrecht.

Na sucessão de 2014, Aécio saiu das urnas como o candidato tucano que mais se aproximou da poltrona de presidente desde o término dos dois mandatos de FHC. Amealhou 48,36% dos votos válidos. Ficou apenas 3,28 pontos atrás de Dilma, reeleita com 51,64% dos votos válidos.

Nessa época, Aécio apresentava-se ao eleitorado como um gestor moderno e eficiente. Se os líderes tucanos ouvidos pelo repórter estiverem certos, ele chegará a 2018 como um dos mais promissores presidentes que o Brasil jamais terá.

Aliados avisam Cunha que aprovarão cassação

O deputado Laerte Bessa (PR-DF), um dos mais fervorosos defensores de Eduardo Cunha deu um aviso ao aliado: “Eu já falei para ele que não terá chance no plenário. Fiz uma pesquisa informal entre os seus aliados e ele não terá os votos necessários para impedir a cassação. Muitos são candidatos a prefeito, muitos têm problemas nos seus redutos eleitorais. Ele não terá saída.”

Em entrevista às repórteres Maria Lima e Isabel Braga, veiculada pelo Globo, Bessa contou que visitou Cunha na semana passada. Estava acompanhado do colega Carlos Marun (PMDB-MS), outro soldado de Cunha. Os dois sugeriram que ele renunciasse à presidência da Câmara. E o interlocutor, sempre refratário à ideia, já não soou tão categórico.

“Eu e o Marun estivemos com ele na última quinta-feira e pedimos que ele renuncie. A decisão do Conselho de Ética é soberana, irreversível. Não tem mais como ir contra no plenário. O Cunha já admite a hipótese de renunciar, mas acha que ainda não está na hora.”

Cunha anunciou para esta terça-feira (21) uma entrevista coletiva. Embora o deputado tenha negado a intenção de renunciar, Bessa ainda não descartou essa hipótese. “Ele nos disse que estava aguardando o momento certo. Achava que ainda não era a hora. Mas acho que chegou a hora. Ele perdeu. Paciência. Agora, tem que enfrentar. Acho muito difícil que ele não anuncie a renúncia amanhã (terça-feira).”

Bessa disse que os aliados protegeram Cunha enquanto foi possível. “Nós o defendemos no Conselho de Ética até o final da denúncia de que havia mentido sobre as contas no exterior. Só que as acusações aumentaram muito e sua situação ficou irreversível. Por isso estamos pedindo que ele renuncie à presidência, é o melhor para o país. Nesse impasse as coisas na Câmara estão andando a passo de tartaruga. Ele tem que renunciar em favor do Brasil.”

Do que Cunha tem medo? “Não digo que ele tenha medo”, respondeu Lerte Bessa. “Já sofreu muitas perdas, está ameaçado de ser preso. Quer achar uma porta de saída para que possa pelo menos respirar.”

 

 

Fonte: Brasil 247/BlogdoJosias/Municipios Baianos/Portalg14

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