em-evento-com-tucanos-cai-a-mascara-da-imparcialidade-de-moroSérgio Moro, que nas manifestações tingidas de verde e amarelo já ganhou a alcunha de Super-Moro, agora é o Brasileiro do Ano na Justiça. Na noite de terça-feira ele recebeu o prêmio da revista Istoé, em cerimônia realizada em São Paulo.

Com convidados que mais pareciam formar uma convenção do PSDB, entre eles, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, João Doria, José Serra e Alexandre de Moraes (ministro da Justiça), a revista IstoÉ promoveu na noite de terça (6), uma festa para premiar o presidente Michel Temer como o “grande brasileiro do ano de 2016”, bem como o juiz federal de primeira instância Sergio Moro, eleito pelos critérios da revista o “brasileiro do ano na Justiça”.

Não foi a primeira honraria concedida ao magistrado de primeira instância, responsável pelos processos da Operação Lava Jato que tramitam em Curitiba. Mas talvez tenha sido a mais polêmica: em certo momento, o juiz foi fotografado conversando animadamente com o senador tucano Aécio Neves (PSDB), sorrisos estampados na face. Completam o retrato, sentados à frente dos dois, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o governador de São Paulo, o também tucano Geraldo Alckmin e o presidente Michel Temer. E tudo isso em meio ao caos institucional que se instaurou em Brasília com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) desafiando o Supremo Tribunal Federal.

Durante a cerimônia, numa das casas de espetáculos preferidas da classe média paulistana, o Citibank Hall, Moro em momento algum pareceu incomodado por permanecer no palco ao lado do presidente do PSDB, o senador Aécio Neves, com quem conversava todo sorridente e descontraído, aos cochichos e muitas vezes rindo solto.

Nas redes sociais a imagem viralizou, e deu munição para aqueles que criticam a Lava Jato e Moro por não investigarem os escândalos tucanos com o rigor dedicado aos crimes de petistas. Aécio, por exemplo, foi citado em delações de executivos da Odebrecht e da OAS, além de ter seu nome envolvido em escândalos como o de Furnas. Em um grampo telefônico divulgado pela Justiça, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado chegou a afirmar que caso a Lava Jato continuasse avançando “o primeiro a ser comido vai ser o Aécio”. Em todos os casos ele alega inocência, e os processos se arrastam no Judiciário.

Não ajudou a causa do juiz o fato de logo à sua frente estar sentado Temer, cujo partido, repleto de políticos na mira da Justiça, é um dos maiores interessados em desmantelar a investigação comandada pelo juiz. Ou nas palavras do peemedebista Romero Jucá, “estancar essa sangria”.

Mas na festiva noite organizada pela Editora Três, dona da IstoÉ, a atenção de Moro não estava voltada apenas para Aécio. Ele e a esposa, Rosangela Moro, deixaram-se fotografar alegremente em um animado bate-papo com outro chefão tucano, o ministro das Relações Exteriores, José Serra.

Recordemos também, Serra já foi citado inúmeras vezes por delatores de empreiteiras e acusado, no âmbito da Lava Jato por executivos da Odebrecht de ter recebido R$ 23 milhões via caixa dois, em contas na Suíça.

Mas nada disso abalou o “bom astral” do juiz federal, visivelmente à vontade durante todo o tempo que durou o festivo encontro.

Ao agradecer pelo prêmio dado pela revista, Moro cumprimentou Michel Temer de maneira protocolar e disse que o ano “foi muito cansativo”. Por sua vez, Temer discursou sem citar Moro, deixando no ar a impressão de que estava um tanto chateado, talvez por ter sido excluído dos melhores momentos das animadas conversas do juiz com os tucanos, como mostram algumas fotos do evento.

O PMDB do presidente também foi um dos partidos que patrocinou – ao lado de PT, PSDB e outros – o desmantelamento do projeto das Dez Medidas Contra a corrupção, patrocinado pelo Ministério Público Federal. E pela inserção no pacote de uma medida que prevê punição a juízes, promotores e procuradores que cometam “abuso de autoridade”. Aécio foi um dos senadores que votou pela urgência na votação do projeto do Senado, que acabou não vingando. A manobra fez com que a força-tarefa da Lava Jato ameaçasse renunciar coletivamente caso o pacote fosse aprovado nestes moldes, e o próprio Moro criticou as alterações. Presentes na cerimônia, mas ausentes na polêmica foto, também estavam o chanceler José Serra (PSDB), o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (PSDB), e o prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB).

No final da festa, Moro e políticos, na grande maioria encrencados na Lava Jato, fizeram um selfie coletiva, uma verdadeira celebração entre amigos.

Mas o evento da IstoÉ de ontem não foi o primeiro da semana em que Moro confraternizou-se com tucanos envolvidos em caso de corrupção.

Na segunda-feira (5), o governador de Mato Grosso, Pedro Taques, lançou o novo Portal Transparência do Poder Executivo do estado, numa cerimônia que teve Sergio Moro como convidado de honra. Até aí nada de mais, não fosse o fato de, na semana passada, o empresário Giovani Guizardi afirmar, em mais um acordo de delação premiada, que o esquema de corrupção na Secretaria de Educação do Mato Grosso, investigado na operação Rêmora da Polícia Federal, teve origem no pagamento de dívidas de campanha do tucano Pedro Taques ao governo estadual, em 2014. Segundo o empresário, foram repassados R$ 300 mil para o então candidato e que outro empresário integrante do esquema, teria dado mais R$ 10 milhões que foram “investidos” na campanha de Taques.

A operação investiga irregularidades em licitações para construção e reforma de escolas realizadas pela pasta de Educação do Mato Grosso em outubro de 2015. O esquema, segundo o Ministério Público, envolve servidores públicos e empresários. De acordo com o MP, os servidores recebiam informações privilegiadas sobre as licitações e organizavam reuniões com empreiteiros para fraudar as licitações.

De volta ao futuro

A menos que a festa de premiação tenha saído de graça, o que certamente não foi o caso, a Editora Três deveria ter economizado os recursos que vêm recebendo pelas publicidades que passou a receber do governo Temer para pagar seus funcionários. A empresa acumula problemas na justiça trabalhista.

Ontem mesmo, dia da festa do “puxa-saquismo”, o portal Comunique-se publicou que, a Editora Três, em recuperação judicial, decidiu parcelar em cinco vezes o 13° dos profissionais da IstoÉ.

Além disso, um processo movido por uma ex-funcionária pode colocar à venda a mansão da família Alzugaray, dona da editora, avaliada em R$ 2,8 milhões, depois que uma juíza da 44ª Vara do Trabalho rejeitou pedido da família para que sua mansão no bairro do Morumbi não fosse penhorada para pagar a dívida trabalhista da profissional, atualmente estimada em cerca de R$ 1,4 milhão.

Ao Comunique-se, o advogado da ex-funcionária da revista Kiyomori Mori avalia a situação da empresa como “lamentável”. “Infelizmente a IstoÉ sempre escolhe o caminho que mais prejudica o jornalista, como parcelar o 13º salário, mas quando casos assim chegam à Justiça e terminam em condenações elevadas, ela reclama do que chama de ‘custo Brasil'”.

Conduta de Moro fortalece queixa de Lula à ONU

A conduta do juiz Sergio Moro fez a ONU adiar para o final de janeiro o prazo que o organismo havia dado ao governo Temer para explicar o processo do Estado brasileiro contra o ex-presidente Lula.

Explico: o que ocorre é que, conforme a Lava Jato, nas pessoas do procurador Deltan Dallagnol e do juiz Sergio Moro, vai dando seus shows antipetistas, a defesa do ex-presidente vai informando à ONU esses passos de modo a corroborar a afirmação de que a Operação e seus condutores agem com motivações político-partidárias.

Há cerca de dois meses, o Comitê de Direitos Humanos da ONU recebeu novos documentos enviados pelos advogados de Lula. Em carta, os advogados citam apresentação em powerpoint dos procuradores da Lava Jato que, apesar de reconhecerem que não têm provas, acusam o ex-presidente de ser “chefe de uma organização criminosa”.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, “ao manter o processo vivo em Genebra, os peritos da ONU (…) apontaram que (…) a pressão sobre a Justiça brasileira continuará criando uma espécie de habeas corpus internacional” para Lula.

O que significa isso? Significa que, apesar de a ONU não ter poder de decisão em território brasileiro, ao acompanhar o caso de Lula o organismo impede que medidas abusivas sejam tomadas contra aquele que os brasileiros consideram o melhor presidente da história e que é o líder em todas as pesquisas para a sucessão presidencial de 2018.

Para quem não sabe, a ONU, ao aceitar investigar a condução dos processos contra Lula no Brasil, está meio que auditando esses processos e, também, os que o conduzem, com destaque para Sergio Moro, que, de longe, por seu gosto incontrolável por holofotes e elogios está produzindo uma fartura de provas de que o que menos busca é justiça.

Nesta semana, o juiz paranaense se superou. Dois momentos foram particularmente simbólicos em relação à sua parcialidade contra Lula e a favor de tucanos.

Momento um: apareceu ao lado do cantor Fagner, em um restaurante, aplaudindo uma música que diz que a função dele é “enjaular vagabundo” em vez de julgar com serenidade e isenção acusados pela Justiça.

Momento dois: durante evento da revista IstoÉ realizado na noite da última terça (6) em São Paulo, o superstar foi Sérgio Moro. Premiado como o “Brasileiro do Ano na Justiça”, Moro ofuscou artistas e políticos. Inebriado pela condição de celebridade, produziu cenas bizarras para alguém cujo trabalho deveria se pautar pela circunspeção e isenção.

Fotos de Moro confraternizando e trocando confidências com políticos do PSDB, muitos deles investigados pela Lava Jato, correram o Brasil e o mundo. Fotos em que ele se entrega à tietagem dos “fãs”, todos inimigos políticos do PT, idem.

O senador tucano Aécio Neves, citado em delações da Odebrecht e da OAS, trocava confidências com Moro. Sorridentes, ambos conversavam de forma descontraída ao longo da cerimônia. Aécio é investigado por sua atuação na CPI dos Correios e por supostamente ter recebido propina da estatal Furnas.

A conduta de Moro nesse evento fez a festa das redes sociais.

Esse farto material revelando o envolvimento político de Moro corrobora ipsis-litteris as queixas de Lula à ONU, que afirmam, entre outras coisas, que o juiz federal não tem isenção para julgar o ex-presidente por manter ligações políticas cada vez mais inegáveis.

Várias pessoas me perguntaram por que Moro age com tanta desfaçatez, deixando todos verem sua ligação estreita com o PSDB e com os que conduziram o golpe de Estado que substituiu o governo eleito do Brasil por um governo sem legitimidade popular.

A resposta é muito simples: porque ele pode. Não há mais Justiça no Brasil. E os órgãos de controle da magistratura estão de quatro para Moro. Não têm coragem de puni-lo por condutas como essas.

Moro já deixou claro que não está preocupado com a imagem do Brasil. Está mais preocupado com os aplausos, elogios e homenagens que recebem em terras tupiniquins, sobretudo lá na sua doce República de Curitiba.

Entretanto, o primeiro passo para restabelecer a democracia no Brasil é provar ao mundo que houve um golpe no país e que as instituições foram subvertidas pelos golpistas. E isso está acontecendo, sem dúvida.

Defesa de Lula denuncia foto do golpe à justiça

Defesa do ex-presidente Lula leva foto do golpe à justiça e pede imparcialidade no julgamento do “caso do triplex”. A denúncia foi feita ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

De acordo com advogados de Lula, a imparcialidade de um juiz deveria ser “ostensiva”, e a foto de Sérgio Moro com adversários do PT mostra exatamente o contrário.

“Os eventos de ontem apenas deixam evidências mais sólidas da relação entre o juiz Moro e figuras ligadas ao PSDB, bem como a outros opositores de Lula e do partido político do qual ele é a principal liderança”, diz a defesa de Lula.

Leia nota:

Ontem (06/12), o juiz Sérgio Moro escancarou sua falta de isenção para julgar o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Registros fotográficos colhidos em dois eventos públicos que contaram com a participação de Moro mostram que, além de o juiz não zelar pela discrição que se espera de um magistrado, também revelam exacerbada simpatia por agentes políticos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que antagonizam Lula no plano político e/ou pessoal. Tais fatos foram hoje levados ao conhecimento do Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, em petição dirigida à exceção de suspeição do juiz Sergio Moro, protocolada em 10/10/2016.

O evento realizado pela revista IstoÉ entregou a Moro e a outros agentes políticos o título de “Homem do Ano”. Neste evento, o magistrado foi fotografado em afável conversa com o Senador Aécio Neves (PSDB-MG), que dispensa qualquer esclarecimento adicional. Na ocasião, o juiz  também foi fotografado em descontraída conversa com José Serra (PSDB/SP) que, na condição de Ministro das Relações Exteriores, recebeu do Comitê de Direitos Humanos da ONU a incumbência de prestar esclarecimentos sobre o Comunicado feito por Lula àquele órgão, em julho. O  Comunicado identifica as violações praticadas por Moro a três disposições do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos.

No mesmo dia, no  lançamento do novo Portal Transparência do Governo de Mato Grosso, governado por Pedro Taques, também do PSDB, Moro proferiu palestra, aproveitando para elogiar o deputado Nilson Leitão (PSDB/MT), quando foi igualmente fotografado  com esses agentes políticos.

A defesa de Lula já havia demonstrado ao TRF4, quando do protocolo da exceção de suspeição, que o Juiz Sérgio Moro tem participado com frequência de eventos que envolvem agentes políticos do PSDB e de outros partidos hostis ao ex-Presidente e ao PT. Foi comprovado que Moro participou de 3 eventos da Lide (09/2015, 01/2016 e 03/2016) – organização que se confunde com a pessoa de João Dória Junior- , quando este último já havia anunciado sua  pré-candidatura, pelo PSDB, à Prefeitura de São Paulo.

Os eventos de ontem apenas deixam evidências mais sólidas da relação entre o juiz Moro e figuras ligadas ao PSDB, bem como a outros opositores de Lula e do partido político do qual ele é a principal liderança.

A imparcialidade do juiz deve ser ostensiva e evidenciar que ele não participa de qualquer forma do sistema político. Por isso, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que, se o juiz tiver “afinidade com os opositores políticos” em relação à pessoa que irá julgar, deve se declarar suspeito, pois “não ostentará condições psicológicas de julgar com imparcialidade” (STJ, 1ª. Turma, Resp 600.752/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 23.08.2004 – destacou-se). Na mesma linha, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos já decidiu que o juiz deve se comportar de forma a “afastar qualquer dúvida que o acusado ou a sociedade possam ter a respeito da ausência de imparcialidade”.

Na petição protocolada hoje os advogados de Lula reiteram ao TRF4 o pedido para que acolha a suspeição do juiz Moro em razão da sua clara ausência de imparcialidade para julgar o ex-Presidente.

Maria do Rosário ironiza Moro e Aécio: ‘amigos para sempre’

A ex-ministra Maria do Rosário (RS) ironizou o juiz Sérgio Moro, responsável pela condução da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, em primeiro instância jurídica, após o magistrado comparecer a um evento que também contou com a presença do presidente Michel Temer, do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do ministro das Relações Exteriores, José Serra.

“Amigos para sempre é o que nó iremos ser, na primavera ou em qualquer das estações”, afirmou ela, postando a foto de Moro conversando com Aécio, megadelatado na Operação Lava Jato.

Dentre as citações estão a do doleiro Alberto Youssef, que apontou Aécio como o mentor intelectual de um mensalão em Furnas, que distribuía mesadas de US$ 100 mil a parlamentares – entre eles, o finado José Janene, que foi sócio de Youssef. Em outra delação, o lobista Fernando Moura afirmou que um terço da propina em Furnas era destinada ao líder da oposição. O

O entregador de propinas “Ceará” diz que Aécio era “o mais chato” cobrador das entregas de recursos da empreiteira UTC (veja aqui). Outro delator, o ex-senadora Delcídio Amaral (PT-MS), disse que o tucano recebeu propina no esquema de corrupção em Furnas.

Pelo Twitter, Maria do Rosário cutucou o ministro José Serra. “Serra recebeu 23 milhões em caixa 2 em contas no exterior. Pouco importa. Moro confraterniza com ele em noite de premiações. Amizade é tudo”, disse ela no Twitter. De acordo com reportagem de Bela Megale, a Odebrecht revelou como pagou R$ 23 milhões ao candidato tucano à presidência da República, em 2010, numa conta secreta na Suíça, pelo caixa dois.

A ministra provocou Moro. “O Juiz de 1ª instância galgou postos rápidos para ser íntimo dos réus que escolheu como amigos. A quem serve?”.

 

Fonte: RBA/El País/BlogdaCidadania/O Cafezinho/Municipios Baianos

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