Cláudio Botelho | Divulgação
Cláudio Botelho | Divulgação

Cláudio Botelho, ator e coprodutor da peça “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos” vai processar criminalmente o autor da gravação do áudio que vazou de seu camarim, sábado, no Sesc Paladium, em Belo Horizonte, logo após a interrupção do espetáculo. “Não tem essa de pimenta no c… dos outros é refresco”, diz Botelho à coluna.

Ele se refere aos recentes comentários nas redes sociais que comparavam as escutas telefônicas do ex-presidente Lula em conversas com a presidente Dilma – os dois foram chamados de “ladrão” e “ladra” por Cláudio numa improvisação durante a peça, o que acabou dando início aos protestos de parte da plateia.

“Não tem como comparar uma coisa com a outra”, diz. “Não sou político, não estou envolvido em nenhuma transação ilegal. É uma escuta não autorizada. Eu estava dentro do meu camarim, no meu trabalho. Gravarem o que eu falei ali, num momento em que estava exaltado… Isso é uma situação criminal”.

Botelho ainda não sabe quem gravou o áudio, “mas vou descobrir quem fez essa coisa vil”, diz. “Já pedi ao Sesc as imagens das câmeras de segurança, tem uma bem perto do camarim onde eu estava. Não foi ninguém da minha equipe porque eu só trabalho com irmãos, não iam fazer isso comigo. Muito menos a Soraya. Foi alguém que botou um celular na porta do camarim ou ali perto. Eu vou descobrir”, afirma Cláudio, que disse não ter ouvido o áudio inteiro. “O que eu ouvi já me aborreceu muito”.

Lembre o caso:
No áudio vazado, a atriz Soraya Ravenle critica, ainda que afetuosamente (“Eu vou te dizer uma coisa porque eu te amo…”), o fato de Botelho ter “misturando ficção com realidade” em um período particularmente tenso do país. “Você tocou numa ferida que está aberta a semana inteira”, ela diz. Botelho então chama os espectadores de “neofacistas, o que há de pior para a democracia”. Ele continua: “O ator que está em cena é um rei, não pode ser peitado por um nego, por um filho da **** que está na plateia. Não pode, não pode ser peitado!”, diz Cláudio. “Em 1964, os militares pararam ‘Roda Viva’. Hoje, os petistas pararam ‘Roda Viva’. Você entende?”. Soraya reafirma sua discordância com o que ele diz, “porque tem que ser sincera” e o povo “tem o direito de vaiar, porque você provocou”.

 

POR CLEO GUIMARÃES

 

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