Para o presidente da Febha – Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação, Sílvio Pessoa, “o São João é a única festa que movimenta os 417 municípios do estado, mas falta uma política de turismo efetiva para esses festejos quando se cogita em fazer da Bahia um destino turístico nesse período”. A Bahiatursa, segundo ele, “não promove campanhas visando o público final e faltam programação e cuidado maior do Governo do Estado com o turismo que ainda não mereceu dos gestores ser convertido em política prioritária”.

Silvio Pessoa confirmou a tendência de a ocupação hoteleira permanecer em 40% na capital, mas ressaltou que “polos turísticos como Porto Seguro, Praia do Forte, Amargosa, Jaguaquara, Lençóis, Cachoeira e outras cidades do Recôncavo tendem a apresentar ocupação de 80% a 100%”.

Os mesmos destinos turísticos e estimativas de ocupação foram reafirmados pelo presidente da Abav-Associação Baiana de Agentes de Viagem, José Alves. Para ele, “o São João é uma festa mais forte que o Carnaval, na medida em que acontece em todo o estado com intensa mobilização de viajantes para o interior e muitos municípios devem registrar 100% de ocupação”. Segundo Alves, “os resorts na Linha Verde permanecem com vagas para o período” e que este setor da hotelaria deverá apresentar “maior demanda em julho, quando acontecem as férias escolares nos estados do Sul e Sudeste”.

Alves chamou a atenção para as promoções que estão sempre acontecendo em todos os destinos, sugerindo que os viajantes busquem suas agências preferidas. Ele mencionou a “estabilidade do dólar em R$ 3,5 e passagens aéreas para a Europa em torno dos US$ 400, além do fato de o mercado norte-americano também estar promovendo tarifas mais baixas”. Conforme o presidente da Abav, “a valorização do dólar junto aos países em desenvolvimento tem afetado a rede hoteleira e há muitas promoções de hotéis disponíveis nesse momento”. Mencionou, ainda, a estabilidade do Euro em torno dos R$ 4, lembrando que “o parque hoteleiro europeu é muito grande, o que permite viagens planejadas com preços acessíveis”.

Silvio Pessoa, que é, também, vice-presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Salvador e Litoral Norte (SHRBS) e diretor-presidente da Rede Sol Expresso de Hotéis e Resorts, disse que “a hotelaria mantém a mesma diária média desde 2012, situação que tem levado os grandes a achatarem os pequenos, por efeito cascata”. Para ele, “a crise é generalizada, não está restrita à Bahia e afeta toda a cadeia turística do país”. Ele criticou, também, à Embratur “que dispõe de apenas US$ 17 milhões para divulgar todos os atrativos nacionais e comparou com o México, que investe US$ 300 milhões, a Colômbia, US$ 90 milhões e mesmo para o Uruguai nos perdemos em termos de investimento para a captação de visitantes”.

Bahiatursa ainda não definiu programação

A menos de duas semanas para os festejos do São João, a Bahiatursa informou, não dispor ainda de programação para o evento, seja em Salvador, seja nos mais de 60 municípios que pleiteiam obter ajuda financeira do órgão para a realização da festa. A situação “tem levado ao caos a captação de hóspedes pelo trade hoteleiro” do Centro da capital – do Campo Grande ao Santo Antonio, no Centro Antigo – com estimativa de ocupação abaixo dos 40%. O atraso na divulgação da grade de eventos para o São João no Pelô, de acordo com David da Silva Costa, diretor da ABIH-Associação Baiana de Hotéis, “impacta, além do segmento, na organização do evento junto à Prefeitura (que fornece luz, limpeza e banheiros públicos); nos comandos da Polícia Militar, Civil e Guarda Municipal que necessitam de informações prévias para planejar as atuações”.

As pessoas que consultam os hotéis da área – com 1.800 a 2 mil leitos disponíveis – querem saber quais as atrações programadas e, como não dispõem dessa informação, acabam por optar por outros destinos fora do estado, como os festejos em Caruaru (PE) ou Campina Grande (PB) que anunciam suas programações com bastante antecedência, acrescenta David Costa, que é também presidente do Conseg-Conselho Comunitário, Social e de Segurança do Centro Histórico de Salvador.

“Deveríamos dispor de pelo menos um mês para divulgar as atrações”, disse. Segundo ele, “embora a Bahiatursa não se pronuncie a respeito, o que se sabe é que o órgão estaria tendo problemas para efetuar a licitação para contratação de bandas”. Segundo a Setur-Secretaria Estadual de Turismo, no ano passado foram investidos R$ 10 milhões no festejo, dos quais R$ 5,4 milhões para a capital e R$ 4,6 para os demais 59 municípios. Conforme a Bahiatursa, “este ano, somente no dia 6 foram encerradas as inscrições dos municípios que pretendem obter recursos de apoio para a maior festa do interior”.

Hotelaria atingiu o fundo do poço

Segundo a diretora financeira da ABIH, Renata Prosérpio, “a expectativa da ocupação da hotelaria em Salvador está na faixa dos 40%, ou seja, é o fundo do poço”. Segundo ela, “o percentual previsto agora para junho é o mesmo alcançado em maio e decorrente dos mesmos fatores, principalmente a falta de um Centro de Convenções na capital que permitisse a realização de feiras, eventos em congreso de negócios durante a baixa estação”. Então, ressaltou, “Salvador permanece perdendo eventos para outras capitais do Nordeste que investiram na construção dos seus centros de convenções”.

Renata criticou a “falta de antecedência na programação de eventos como o do São João”, sinalizando o fato de que antes tínhamos a programação de grandes shows no Parque de Exposições, ambiente adequado para absorver megaeventos, com a Feira dos Municípios e o Arraiá da Capitá que foram esvaziados e deixaram de existir”.

De todo modo, assegurou que “os grandes polos do São João tendem a lotar, em destinos como Senhor do Bonfim, Mucugê, Lençóis, Cachoeira, São Félix, Muritiba, Cruz das Almas, Santo Antonio de Jesus, que mobilizam, também, as populações das cidades vizinhas”. A dirigente da Abih criticou, ainda, a “falta de regulamentação para a prática da hospedagem informal, que oferece o aluguel de casas, residências, apartamentos,  sem pagar qualquer imposto sobre isso, ao contrário de pousadas e hotéis sobre os quais incidem, entre outros tributos, 5% de ISS-Imposto Sobre Serviços sobre o faturamento bruto”.

 

Fonte: Tribuna/Municipios Baianos/portalg14

Share Button