O BRASIL E SUAS BASTILHASBastilha, em francês, Bastille. A Bastilha era uma fortaleza situada em Paris, capital da França. Começou a ser construída no ano de 1370, durante o reinado de Carlos V. Foi concluída, doze anos depois, em 1382. No século XV, na regência do Cardeal Richelieu, foi transformada pela monarquia francesa numa prisão de Estado, ou seja, um local onde eram presos aqueles que discordavam ou representavam uma ameaça ao poder absolutista dos reis.

Inicialmente, foi concebida, apenas, como um portal de entrada ao bairro parisiense de Saint-Antoine, na França, motivo pelo qual era denominada Bastilha de Saint-Antoine. Encontrava-se onde, hoje, está situada a Place de la Bastille – a Praça da Bastilha – em Paris.

Tornou-se um símbolo do absolutismo francês, sendo que vários intelectuais e políticos foram presos em seus cárceres. Entre os prisioneiros mais famosos, podemos citar: Bassompierre, Foucquet, o homem da máscara de ferro, duque de O’rleans, Voltaire, Latude, entre outros.

Na época, o sistema legislativo francês dividia-se em três grupos, os chamados Três Estados: o primeiro, compreendia os representantes da nobreza; já, o segundo, representava o clero católico; finalmente, o terceiro, representava a população em geral. Os dois primeiros grupos votavam quase, sempre, em conjunto, deixando o Terceiro Estado (povo) isolado e marginalizado, tornando qualquer proposta de mudança da situação, pela via política, quase impossível. Nada diferente do momento atual do nosso Brasil.

Diante de tal situação de falta de representabilidade política, somada à dilapidação dos cofres públicos promovida pela nobreza e pelo clero, aos problemas econômicos enfrentados pelo país, na época (devido à participação francesa na guerra de independência dos Estados Unidos, somada às colheitas deficitárias ocorridas naqueles últimos anos), a situação tornara-se insustentável, o que lançou o povo contra o governo de modo dramático, tomando o controle do país à força.

Considera-se o dia 14 de julho de 1789 como a data da Revolução Francesa, porque foi nesse dia em que o povo francês assaltou a célebre fortaleza da Bastilha, decapitou o seu governador, o marques de Launay, e após quatro horas de combate, tomaram a bastilha. Fato que caracterizou a “Queda da Bastilha”. Ironicamente, os cerca de 600 invasores da Bastilha foram encontrar encarcerados, apenas, sete presos: 2 loucos, 4 vigaristas e 1 lorde tarado.

Retratamos esse importante episódio da história da humanidade, o fechamento da Idade Moderna como verdadeiro separador de águas, a fim de despertar nossos leitores quanto à realidade do caótico quadro da política brasileira.

Como a imensa maioria dos políticos brasileiros, envolvidos com corrupção, suborno e enriquecimento ilícito, e que, às claras, sem sequer se preocupar com a exposição nas mídias, manipulam seus interesses, descomprometida, também, com os interesses do povo, na época, a rainha Maria Antonieta, ao ouvir o clamor de uma população faminta, injustiçada e sem esperanças, proferiu a frase que ficou marcada na história: “se não tem pão, que comam brioches!” Parece-nos que nossos governantes estão mais ou menos respondendo da mesma forma às demandas da população, que ocupou as ruas em junho de 2013, manifestando sua insatisfação.

No mesmo período da Revolução Francesa, no Brasil, acontecia a Conjuração Mineira, que “levou” Tiradentes à forca. Na época, a Coroa Portuguesa determinava, como imposto, o pagamento do “Quinto”, ou seja 20 % do que fosse explorado nas Minas Gerais, o que já era um absurdo. A expressão “O Quinto dos Infernos” vem de então, utilizada pelo povo revoltado. Hoje, em média, pagamos o dobro de impostos (cerca de 40%). Em um ano, trabalhamos cerca de 150 dias para pagar impostos, e esses, na grande maioria das vezes, sendo desviados para sustentar o circuito de uma corrupção, que se tornou sistêmica.

Atualmente, o povo clama pela queda de novas bastilhas. Em 1789, era a bastilha do absolutismo, do poder feudal. Hoje, quase 230 anos depois, sentimos a mesma indignação em ver nossa economia ladeira abaixo, fruto da corrupção, do suborno, no lodaçal que banha os três Poderes.

Em 14 de julho de 1789 o povo, cansado de protestar, fez valer a sua voz e reescreveu sua história. Há exatos três anos o povo enchia as ruas de diversas capitais e cidades brasileiras e mostrava sua indignação. Promessas foram feitas e nada se modificou. Muito pelo contrário, o quadro, somente, piora a cada edição da “Operação Lava Jato”, que nem vislumbra previsão para terminar.

Antes de se realizar as necessárias reformas política, agrária, previdenciária, entre outras, faz-se necessário a implantação de uma Reforma Moral e Ética. Lamento concluir que o problema do Brasil é o próprio brasileiro. Refiro-me aos maus caráter que estão no poder, somados aos omissos e àqueles que se “beneficiam”, de certa forma, das migalhas da corrupção. Precisamos dar um basta nesta Bastilha atual. Chegamos a uma situação que quem não fizer parte da solução, desde já, é parte do problema!

No próximo dia 19 de julho de 2016, o Exmo. Sr. Presidente da República, em exercício, estará recepcionando, no Palácio do Planalto, os Grão-Mestres da Maçonaria brasileira, os quais estarão entregando, junto com seus descontentamentos com o quadro político atual, a Carta de Maceió, fruto da XLV Assembleia Geral da CMSB – Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, em apoio do Povo Maçônico à Polícia Federal, ao Ministério Público, Tribunal de Contas da União, Receita Federal e a Justiça Federal, a fim de colocarmos um ponto final no momento mais tenebroso da história política deste país.

Que a população volte a manifestar sua indignação nas ruas, e que seu clamor coloque abaixo as Bastilhas da Corrupção, e que a Guilhotina da Justiça ponha fim nessa corja de maus políticos que subtraem essa nação, que tem por sublime destino de ser o Celeiro do Mundo, a Pátria do Evangelho, a Terra do Advento do Alvorecer do Novo Ciclo!

Que se cumpra a LEI Justa e Perfeita!

Municípios Baianos/Portalg14

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